ONU elogia “resiliência, reconciliação e esperança” de Hiroshima 75 anos após bomba atômica
BR

9 agosto 2020

Secretário-geral e presidente da Assembleia Geral enviaram mensagens de vídeo à Cerimônia do Memorial da Paz, realizada no Japão, para marcar o aniversário do ataque; para chefe da ONU, sobreviventes formam "voz unificadora para segurança e bem-estar de toda a humanidade." 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, prestou um tributo às vítimas do lançamento da bomba atômica contra a cidade de Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945.

Em mensagem de vídeo para a Cerimônia do Memorial da Paz, no Japão, o chefe da ONU afirmou que "há 75 anos, uma única arma nuclear causou morte e destruição indescritíveis nesta cidade." 

Sobreviventes

A alta representante para Assuntos de Desarmamento, Izumi Nakamitsu, participou na cerimônia
A alta representante para Assuntos de Desarmamento, Izumi Nakamitsu, participou na cerimônia, Cidade de Hiroshima

Segundo Guterres, "os efeitos permanecem até hoje,” mas Hiroshima e o seu povo não deixaram que o desastre fosse sua marca, escolhendo em vez disso “resiliência, reconciliação e esperança.” 

Ele ressaltou que os sobreviventes, conhecidos como hibakusha, são " defensores, sem igual, do desarmamento nuclear", que formam "uma voz unificadora para a segurança e o bem-estar de toda a humanidade." 

O secretário-geral lembrou que no mesmo ano, a ONU foi criada e que “estará para sempre ligada à destruição das bombas nucleares que caíram em Hiroshima e Nagasaki.” Esta última cidade foi atingida com a bomba atômica três dias depois, em 9 de agosto de 1945.

Desde seus primeiros dias, a organização reconheceu a necessidade de eliminar totalmente as armas nucleares. Apesar desses esforços, “o objetivo ainda não foi alcançado”, lembrou o secretário-geral.

Controle 

Segundo o chefe da ONU, o sistema de controle de armamento criado durante a Guerra Fria está se desgastando. Para ele, 75 anos depois de Hiroshima, o mundo ainda precisa aprender que as armas nucleares diminuem a segurança, em vez de reforçar. 

Ele destacou o aumento da divisão, desconfiança e falta de diálogo, bem como a modernização de arsenais nucleares e desenvolvimento de novas armas. Por tudo isso, ele afirmou que o desarmamento nuclear "parece estar escapando ainda mais do alcance” da comunidade internacional. 

Segundo Guterres, todos os Estados-membros podem contribuir, mas os países que possuem armas nucleares têm uma responsabilidade especial. 

O secretário-geral falou sobre o Tratado sobre Não-Proliferação de Armas Nucleares,  que deve ser revisto no próximo ano, dizendo que é uma oportunidade para os Estados "voltarem a essa visão compartilhada". 

Memorial da Paz de Hiroshima, em Hiroshima, no Japão.
Unesco/G. Boccardi
Memorial da Paz de Hiroshima, em Hiroshima, no Japão.

Ameaça 

Também em mensagem de vídeo, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Tijjani Muhammad-Bande, afirmou que “não há vencedor numa guerra nuclear.” 

E que o mundo deve se “comprometer com o desarmamento nuclear”,

Muhammad-Bande pediu ao todos os países-membros que ratifiquem o Tratado sobre Proibição de Armas Nucleares, aprovado em 2017. 

Para ele, em memória das vítimas de Hiroshima e Nagasaki, o mundo deve trabalhar para criar um futuro “livre da ameaça existencial de armas nucleares.” 

Humanidade 

Em nota separada, o chefe da Organização do Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares, Ctbto, Lassina Zerbo, disse que estas explosões continuam a “assombrar a humanidade e lançam uma pergunta desafiadora: é possível escapar do instinto destrutivo que levou a esses horríveis bombardeios?" 

Ele afirmou que os sobreviventes são "uma forte bússola moral para a humanidade" e que suas dores e histórias tornaram o risco nuclear mais "perceptível e concreto." 

Segundo Zerbo, essas pessoas ensinaram que paciência, determinação e resolução são "indispensáveis na longa batalha pelo desarmamento nuclear". 

O chefe da Cbto terminou dizendo que o mundo precisa concluir o que começou “porque o que aconteceu no Japão não deve ocorrer nunca mais." 

Hiroshima, ao lado de Nagasaki, foi alvo de um ataque com bomba atômica há 75 anos, no final da Segunda Guerra Mundial.
Foto ONU/Yoshito Matsushige
Hiroshima, ao lado de Nagasaki, foi alvo de um ataque com bomba atômica há 75 anos, no final da Segunda Guerra Mundial.

 

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