Associação Líbano-Brasileira diz que resiliência do povo ajudará Líbano a se reerguer
BR

6 agosto 2020

Bassam J. Hadad é presidente da entidade da  sociedade civil, com sede em Beirute, onde ocorreu a explosão, que matou mais de 100 pessoas; em entrevista à ONU News, ele diz que Líbano “vive uma situação muito delicada com a crise financeira”, mas que o país voltará a ser a "Pérola do Oriente". 

O presidente da Associação Líbano-Brasileira, Bassam J. Hadad, acredita que a capital do Líbano, Beirute, irá se recuperar rapidamente das explosões de terça-feira, que causaram mais de 100 mortes e cerca de 4 mil feridos.

Segundo o Escritório da ONU para Assuntos Humanitários, Ocha, as Nações Unidas estão trabalhando com o governo nacional para apoiar os esforços de recuperação. Especialistas foram enviados ao país para auxiliar nas operações de resgate.

Porto de Beirute depois das explosões, by Houssam Yaacoub

Recuperação

Em entrevista à ONU News, Bassam J. Hadad destacou o espírito de resiliência dos libaneses, dizendo que irá ajudar a ultrapassar este obstáculo. 

“Se Deus quiser, vamos sair dessa história. Em poucos dias, vai ser controlado tudo. Vamos voltar como era antes. Somos um povo guerreiro. Dá para reconstruir novamente, do mesmo jeito que era, ou melhor ainda, para continuar sendo a Pérola do Oriente.” 

Para o representante da sociedade civil, “agora é, realmente, uma situação muito delicada, com a crise financeira.” 

Desde o início do ano, um terço dos libaneses perderam o emprego. Muitos mais devem ser lançados para o setor informal. Desde outubro, a libra perdeu mais de 80% de seu valor e milhares de empresas fecharam. E os apagões de energia tornaram-se frequentes.

Agora, Bassam J. Hadad diz que o incidente deve atrasar os esforços de recuperação.

Memórias

Bassam J. Hadad vive em Beirute e estava em seu escritório no final do dia, quando as explosões ocorreram. Ele contou para a ONU News o que viu das janelas de seu escritório. 

“Foi realmente um grande pesadelo. Levamos um grande susto. Parecia um terremoto, de quatro ou cinco graus. De repente, saiu uma grande explosão. Começou distante, altura de 350 metros, olhamos pela janela, que estava tremendo, quebraram alguns vidros, e aí a gente viu o porto de Beirute pegando fogo. Saindo chama, fumaça, tudo. Realmente, a gente não entendeu, pensou que era um atentado. Começamos a procurar por meus filhos, por minha esposa, para ver o que estava acontecendo.”

Grandes áreas de Beirute ficaram destruídas como resultado da explosão no porto da cidade., by Unifil

Quando ele saiu do prédio, percebeu melhor o resultado do incidente. Também ficaram visíveis as consequências econômicas, em um país onde 75% das pessoas já precisavam de ajuda em abril.

“Quando a gente desceu do escritório, vimos que as lojas tinham vidros quebrados. No centro da cidade, a situação estava terrível. Nos bairros vizinhos, do porto, que fica bem no centro da cidade, todas as lojas, shoppings, hotéis, restaurantes, bares, edifícios de escritórios, praticamente todos foram atingidos. Os bairros vizinhos, com residências, apartamentos e casas, também foram atingidos. Não dá mais para andar dentro das ruas. Infelizmente, foi uma tragédia.” 

Resposta

Apoio para os hospitais é a principal prioridade da ONU nesse momento. A Organização Mundial da Saúde, OMS, está trabalhando em estreita colaboração com o Ministério da Saúde para conduzir uma avaliação das instalações e necessidades de apoio adicional.

Segundo o Ocha, as Nações Unidas também estão analisando todas as formas de fornecer assistência financeira para os esforços de resposta.

A ONU também está analisando atentamente as implicações dos danos do porto, tanto no Líbano quanto na Síria. Soluções para garantir a continuidade de operações humanitárias serão coordenadas com as autoridades nacionais.

Lembre o depoimento do almirante brasileiro à ONU News descrevendo o momento da explosão:

 

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