Covid-19: pico em vários países da América Latina e Caribe é esperado este mês
BR

4 agosto 2020

Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, diz que crise tem impacto arrasador na prestação de outros serviços de saúde; Américas concentram mais de 9,7 milhões de casos e 365 mil mortes.

A Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, afirmou esta terça-feira que a América Latina e o Caribe “permanecem sob forte controle” da pandemia de Covid-19.

Em 3 de agosto, as Américas tinham mais de 9,7 milhões de casos e 365 mil mortes, com uma tendência crescente. 

Campanha contra a Covid-19 na Venezuela. Casos continuam aumentando na América Latina, Ocha/Gema Cortes

Paradoxo

Falando a jornalistas, em reunião virtual, a diretora-geral da Opas, Carissa Etienne, disse que “a América Latina enfrenta um paradoxo de saúde pública.”

Segundo ela, por um lado, “muitos países estão notificando números recordes de novas infecções, um sinal claro de que o vírus ainda está se propagando rapidamente.” Por outro lado, “há uma pressão crescente para abrir economias, escolas e continuar a vida.”

Apesar desse desafio, Etienne acredita que “os países devem evitar pensar numa escolha entre reabrir economias e proteger a saúde e o bem-estar de seu povo.” 

Situação

Quase todos os países da Mesoamérica estão testemunhando picos. No Caribe, as nações controlaram surtos iniciais, mas a maioria registrou novos casos e deve permanecer vigilante ao reabrir suas fronteiras. 

Na sub-região andina e no Brasil, existe uma tendência geral crescente. O Chile apresentou um grande pico em maio e junho e está em declínio desde então. A Argentina, no entanto, relata um aumento nas províncias menos populosas, fora da capital, Buenos Aires.

Na sub-região andina e no Brasil, existe uma tendência geral crescente

Diferenças

O vice-diretor-geral da Opas, o médico brasileiro Jarbas Barbosa, respondeu a uma pergunta sobre as diferenças entre a evolução da pandemia na Europa e na América Latina e Caribe. 

Para ele, “o padrão de transmissão é distinto”, porque países como Itália, França e Alemanha tiveram “uma explosão muito forte, seguida por medidas implementadas que foram muito efetivas, e conseguiram controlar o pico após três ou quatro semanas.”

Na América Latina, ele diz que “as mesmas medidas foram importantes para reduzir o crescimento da taxa de transmissão, mas não atingiram o nível de eficácia necessário para achatar a curva.”

Segundo ele, com base em observações feitas em outros países, o pico em vários países da região deve acontecer em agosto. Ele incentivou os governos a continuarem a trabalhar, para assumir o controle da transmissão ainda esse mês.

Lembre a entrevista de Jarbas Barbosa à ONU News realizada em maio:

Adaptação 

Apesar de alguns progressos, Carissa Etienne disse que “a Covid-19 não desaparecerá tão cedo” e que os países precisam se ajustar a essa realidade.

Segundo ela, a pandemia não é o único problema de saúde que a região enfrenta. A Opas está “começando a ver sinais de alerta do impacto arrasador que a Covid-19 teve sobre outras doenças.” 

A extensão total do problema é desconhecida porque a vigilância foi interrompida em mais da metade da região. Apesar disso, os dados que existem são de crescente preocupação.

Uma pesquisa com 27 países mostra que metade dos programas de diabetes e hipertensão foram interrompidos nos cuidados primários. 

Serviços essenciais como apoio a gravidez, diabetes, HIV, tuberculose e malária estão severamente comprometidos ou completamente parados

Gravidez

Profissionais de saúde estão sendo redirecionados. Sem médicos e enfermeiros disponíveis, serviços essenciais como apoio a gravidez, diabetes, HIV, tuberculose e malária estão severamente comprometidos ou completamente parados.  

Ao mesmo tempo, pacientes hesitam buscar atendimento com medo ou porque as interrupções no transporte dificultam o acesso aos centros de saúde. 

Para a chefe da Opas, existem pequenas mudanças que são importantes no curto prazo, mas a pandemia mostrou que investimentos nos sistemas de saúde “são desesperadamente necessários."

Segundo ela, “é a hora de os países dedicarem 6% do PIB para fortalecer seus sistemas de saúde.”
 

 

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