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Furacões e pandemia ameaçam mais de 70 milhões de crianças nas Américas BR

Duas crianças, um menino e uma menina, fazem a lição de casa em uma mesa de madeira em sua casa em Potrero Grande, Guatemala.
© Unicef/Daniele Volpe Na Guatemala, crianças estudam em casa, seguindo as orientações recebidas do Ministério da Educação durante a pandemia do Covid-19

Furacões e pandemia ameaçam mais de 70 milhões de crianças nas Américas

Clima e Meio Ambiente

Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, diz que deslocamentos por causa de desastres naturais e interrupções de serviços de saúde devido à Covid-19 podem deixar menores vulneráveis ao vírus na América Central e no Caribe.

A estação de furacões que atravessa o Caribe e partes da América Central, este ano, está preocupando o Unicef.

Em comunicado, a agência da ONU alerta para o que chama de “ameaças adicionais de tempestades catastróficas” durante a estação atual, que dura até o fim de novembro.

Destruição generalizada em Marsh Harbor, Abaco, Bahamas, após a passagem do furacão Dorian em setembro de 2019, com destroços espalhados pela paisagem sob um céu nublado.
Vista da destruíção nas Bahamas causada pela passagem do pelo furacão Dorian. Foto ONU/Mark Garten

Serviços básicos

Segundo o Unicef, mais de 70 milhões de crianças estariam ameaçadas, direta ou indiretamente, pela pandemia na América Central e no Caribe. Muitas delas vivem em áreas costeiras da região enfrentando um perigo dobrado à medida que se aproxima a fase mais ativa da estação de furacões.

Para a agência, as consequências de um desastre natural como deslocamentos, danos à infraestrutura e interrupções de serviços básicos, podem deixar crianças e famílias mais fragilizadas para enfrentar a doença.

O Unicef lembra que numa emergência, o vírus tende a se espalhar rapidamente. Geralmente, abrigos lotados não têm como impor distanciamento físico. Com danos à infraestrutura com falta de água e saneamento, tampouco se pode garantir medidas de controle como lavagem de mãos. 

Restrição de movimentos

A pandemia também está colocando pressão sobre os serviços locais e nacionais de saúde na América Central e no Caribe. A agência afirma que muitos se perguntam como farão para responder após a passagem de um furacão com todo o impacto de destruição de um desastre natural. 

Por causa da restrição de movimentos e de orçamentos nacionais devido à pandemia, muitos países estão tendo dificuldade para realizar os planos de contingência e preparação contra a estação de furacões.

O diretor regional do Unicef para América Latina e Caribe, Bernt Aasen, disse que nas próximas semanas, as crianças estarão sob uma dupla ameaça na região: a Covid-19 e os furacões. Segundo ele, os países precisam se preparar para evitar que o vírus de propague.

Grandes furacões

O Unicef alertou sobre a possibilidade de um aumento da intensidade de tempestades este ano no Caribe levando a um deslocamento forçado da população pelos próximos anos. 

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional acredita que existe 60% de chance de a estação 2020 ficar acima do normal em termos de atividade. Em média, são esperadas 15 tempestades, mais da metade serão furacões e quatro, grandes furacões.

No fim de maio, a tempestade tropical Amanda causou cheias e deslizamentos de terra em partes de El Salvador, Guatemala e Honduras. Pelo menos 33 pessoas morreram incluindo uma criança. Milhares ficaram desalojados. E todos os três países têm casos confirmados da Covid-19.

Crianças comendo uma refeição escolar em uma mesa comprida no refeitório.
FAO/Ubirajara Machado Com o fechamento das escolas, bilhões de merendas deixaram de ser distribuídas em todo o globo

Escolas seguras

Em apenas 10 anos, entre 2010 e 2019, as tempestades causaram 895 mil deslocamentos de crianças no Caribe e 297 mil na América Central.

O Unicef afirma que tem atuado com autoridades em toda a região para preparar a resposta de saúde pública à pandemia com serviços de educação, apoio técnico a governos e às comunidades no Caribe e na América Central.

ma das iniciativas são as “Escolas Seguras” cuja meta é criar resiliência e fortalecer a proteção dos estudantes, educadores e da infraestrutura em caso de desastres naturais.