Vacinação contra sarampo atinge meta na Etiópia com 96% de cobertura
BR

29 julho 2020

Campanha, de 10 dias, imunizou 14,4 milhões dos 15 milhões de crianças; esforço ocorreu com três meses de atraso por causa da crise gerada pela pandemia de Covid-19, que ameaça pelo menos nove outras campanhas de vacinação em África. 

Cerca de 15 milhões de crianças, na Etiópia, foram vacinadas contra o sarampo. Num comunicado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, comemora o resultado da campanha de vacinação que atingiu 96% de cobertura. 

Por causa da pandemia atual, muitas iniciativas de imunização estão sob risco nos países africanos. 

Dados preliminares do primeiro trimestre deste ano indicam que 1,5 milhão de crianças africanas perderam a primeira dose da vacina contra a doença.
Dados preliminares do primeiro trimestre deste ano indicam que 1,5 milhão de crianças africanas perderam a primeira dose da vacina contra a doença. Foto: Unicef/Mulugeta Ayene

Máscaras

A campanha de 10 dias terminou no fim de semana. Organizada pelo Ministério da Saúde da Etiópia, a ação contou com o apoio do Unicef e da Organização Mundial da Saúde, OMS.  

A Aliança Gavi de Vacinas e o Centro do Controle e Prevenção da Doença dos Estados Unidos também colaboraram. A campanha, inicialmente agendada para abril, sofreu um atraso por causa da pandemia. 

Os organizadores informaram que essa foi a campanha de mais longa duração por causa dos contratempos gerados pela Covid-19 e das medidas de segurança que precisam ser tomadas. Os agentes de saúde usaram máscaras de proteção e distribuíram as vacinas em áreas abertas e ventiladas.

O distanciamento físico, a lavagem das mãos e medição de temperatura foram outras medidas observadas, conforme orientações de prevenção da Covid-19.

Sensibilização

A imunização destinada às crianças de 9 a 59 meses  foi antecedida por uma formação do pessoal de saúde sobre prevenção à Covid-19, sensibilização das comunidades para aderirem à campanha e a disponibilização de suprimentos de vacinação, equipamentos de proteção pessoal e desinfetantes.

Em comunicado, a diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, disse que é possível continuar a prestar serviços básicos enquanto se luta para acabar com a pandemia, e salientou que milhões de crianças são ameaçadas por doenças evitáveis. Ela afirma esperar pelo fim da Covid-19 para recomeçar campanhas de imunização é uma aposta que não se pode permitir.

Apesar de existir uma vacina segura e eficaz, o sarampo, que é uma doença altamente contagiosa, continua a ser uma das principais causas de morte entre crianças no mundo. Estima-se que 52.600 pessoas morreram de sarampo em 2018 na Região Africana, a maioria era menor de 5 anos de idade.

Secretário-geral destacou ainda a resposta das Nações Unidas à pandemia de Covid-19, que até esta terça-feira havia matado mais de 962 mil pessoas.  
OMS
Secretário-geral destacou ainda a resposta das Nações Unidas à pandemia de Covid-19, que até esta terça-feira havia matado mais de 962 mil pessoas.  

Novos surtos

Dados preliminares do primeiro trimestre deste ano indicam que 1,5 milhão de crianças africanas perderam a primeira dose da vacina contra a doença e 4,5 milhões não foram vacinadas no ano passado. Uma situação que pode levar  a novos surtos, diz a OMS.

Segundo a agência, surtos do sarampo continuam a ser uma ameaça em todos os países africanos onde a cobertura da imunização de rotina permanece abaixo de 95% e onde campanhas periódicas de imunização suplementar foram atrasadas ou não alcançaram 95% de cobertura em todos os distritos.

As previsões apontam que menos de 10 dos 47 países na Região Africana da OMS consigam alcançar a meta 2020 da eliminação do sarampo, diminuindo novas infecções para menos de um por um milhão de pessoas. 

*Amatijane Candé para a ONU News.
 
 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud