OMS: prevenção de transmissão vertical da hepatite B é melhor forma de combate
BR

28 julho 2020

Organização Mundial da Saúde celebra redução da proporção de crianças menores de cinco anos infectadas cronicamente que caiu para menos de 1% em 2019; na era pré-vacina, este número era de 5%; este 28 de julho é o Dia Mundial de Combate à Hepatite, que mata 900 mil pessoas anualmente.

Entre 1980 e 2000, a proporção de crianças, abaixo de cinco anos, vivendo com hepatite B era de 5%.  No ano passado, esta quantidade foi reduzida a menos de 1%. A Organização Mundial da Saúde diz que esse resultado deve-se à imunização e medidas de prevenção.

A notícia é parte das celebrações da OMS neste 28 de julho, o Dia Mundial de Combate à Hepatite. 

OMS chama a atenção para a importância do teste para identificar a hepatite, ONU

Estratégia

A agência afirma que a redução é um novo avanço na meta da eliminação da hepatite viral como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, de chegar a menos de 1% nas taxas de prevalência da doença entre crianças menores de cinco anos até 2020.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que nenhum bebê deve ter que morrer de hepatite porque não foi vacinado. A imunização reduz também possíveis danos ao fígado e de câncer de fígado no futuro. Para Tedros, prevenir a transmissão vertical da hepatite, a que ocorre de mães para bebês, é a estratégia mais importante no controle da doença, além de salvar vidas. 

Em entrevista à ONU News, o presidente da Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite, Abph, Humberto Silva, explicou a importância de alcançar as metas de combate à doença.

Pacto

“É imperativo que o mundo atinja a eliminação da hepatite, conforme estabelecido pelo documento assinado por 194 países-membros da OMS, que determina um pacto para diminuir em até 65% o número de mortes em decorrência da hepatite. É importante porque 4 mil pessoas morrem, todos os dias, desta doença e não deveriam. Não deveriam porque existe vacina para a hepatite B e para a hepatite C. Então, todas as mortes que ocorrem são em decorrer do silêncio da doença.” 

Menina em Sichuan, na China, é vacinada contra hepatite A, Unicef/UNI28505/Adam Dean

Segundo Humberto Silva, 95% das pessoas que têm a doença não sabem de seu diagnóstico.  Ele mesmo é um sobrevivente da hepatite, descoberta por acaso, quando um médico recomendou que fizesse um exame por causa de uma outra doença.

Vacina segura

Em todo o mundo, mais de 250 milhões de pessoas vivem com infecção crônica por hepatite B. Os bebês são especialmente vulneráveis porque cerca de 90% das crianças infectadas, no primeiro ano, têm a doença cronicamente. A hepatite ataca o fígado e mata quase 900 mil a cada ano. 

Os bebês podem ser imunizados através de uma vacina segura e eficaz que fornece mais de 95% de proteção. 

A OMS recomenda a primeira dose contra hepatite B o mais rápido possível após o nascimento, de preferência dentro de 24 horas, seguida de pelo menos duas doses adicionais. 

Covid-19 

No ano passado, a cobertura de três doses da vacina contra hepatite B durante a infância atingiu 85% em todo o mundo. Em 2000, eram apenas 30%.  

Outra maneira de proteger as crianças é fornecer às grávidas tratamento antiviral para reduzir a transmissão.  

De acordo com um novo estudo, as interrupções no programa de vacinação causadas pela pandemia de Covid-19 podem ter um sério impacto nos esforços para alcançar as metas da estratégia global. 

No pior cenário, haverá cerca de 5,3 milhões de infecções crônicas adicionais entre crianças nascidas entre 2020 e 2030, o que pode resultar em mais 1 milhão de mortes.

 

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