OMS diz que Covid-19 é a emergência de saúde global "mais grave" com a qual teve que lidar
BR

27 julho 2020

Organização Mundial da Saúde deve convocar o Comitê de Emergência para reavaliar a situação; chefe da agência fez a declaração às vésperas do novo coronavírus completar seis meses como emergência de saúde pública internacional; na época, havia menos de 100 casos fora da China, onde a doença surgiu.  Hoje, já são mais de 16 milhões de casos e 646 mil mortes no mundo.
 

Nesta quinta-feira, 30 de julho, a OMS marca seis meses da declaração da Covid-19 como uma “emergência de saúde pública internacional”.

Numa entrevista a jornalistas, o diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, disse que esta é “de longe, a mais grave” emergência que a OMS teve que enfrentar. 

No início, havia menos de 100 casos fora da China, onde a doença surgiu, na cidade de Wuhan. Nenhuma morte havia ocorrido no exterior. Hoje, são mais de 16 milhões de casos confirmados e pelo menos 646 mil mortes em todo o globo.

Resposta

Tedros afirmou que “a pandemia continua se acelerando.” Nas últimas seis semanas, o número de casos duplicou.  
Ele contou que vai convocar o Comitê de Emergência para reavaliar a situação. 

Depois de declarar a crise como uma emergência de saúde pública internacional em 30 de janeiro, o mesmo Comitê anunciou uma situação de pandemia a 11 de março. 

O chefe da OMS disse que “a Covid-19 mudou o mundo, unindo pessoas, comunidades e nações, mas também separando-as.” 

Segundo ele, a pandemia “mostrou os lados positivo e negativo dos seres humanos”. 

Nos últimos seis meses, a comunidade cientifica aprendeu muito sobre o vírus e continua aprendendo. Mas para Tedros, os pilares da resposta não mudaram: liderança política e informação, engajar e escutar as comunidades. 

As medidas básicas de combate também continuam sendo as mesmas: diagnosticar, isolar, testar e cuidar de casos e rastrear e colocar em quarentena seus contatos. 

Em nível individual, os conselhos continuam sendo que as pessoas mantenham distanciamento social, lavem as mãos, evitem multidões e áreas fechadas e usem máscara quando recomendado. 

Segundo o chefe da agência, “onde essas medidas são seguidas, os casos diminuem”.

Exemplos 

Ele destacou países que preveniram surtos em larga escala, como Camboja, Nova Zelândia, Ruanda, Tailândia, Vietnã e ilhas no Pacífico e no Caribe. Outros como Canadá, China, Alemanha e Coreia do Sul conseguiram controlar grandes surtos.  

Funcionária de saúde distribui itens de higiene no Bangladesh, para prevenir Covid-19, OMS

Tedros afirmou que um dos elementos mais importantes nesta luta “é a determinação e a vontade de fazer escolhas difíceis para manter todos em segurança.” 

Trabalho 

Nos últimos seis meses, a OMS trabalhou apoiando os países na resposta ao vírus. Tedros disse estar “imensamente orgulhoso” da organização, de seus funcionários e de seus esforços. 

Dias depois dos primeiros casos surgirem na China, a agência publicou orientações abrangentes sobre como diagnosticar, testar e tratar os doentes e proteger os profissionais de saúde. 

Depois, divulgou o primeiro protocolo de teste, atuando com um fabricante na Alemanha para produzir testes e enviá-los aos países mais carentes. 

Reunindo milhares de especialistas de todo o mundo, a agência analisou todos os novos dados e produziu orientações atualizadas. Tedros disse que “a OMS nunca produziu um volume tão grande de consultoria técnica num período tão curto.” 

Profissionais de saúde envolvidos no tratamento de vítimas da Covid-19, na Etiópia,OMS

Mais de 4 milhões de pessoas receberam cursos de treinamento online, o Solidarity Trial foi lançado para encontrar as terapias mais eficazes e Voos Solidários transportaram milhões de kits de teste e toneladas de equipamentos de proteção. 

Solidariedade 

Também foi criado o Fundo de Resposta à Solidariedade, que já angariou mais de US$ 225 milhões de mais de 563 mil pessoas, empresas e filantropos. Além disso, Estados-membros e doadores disponibilizaram cerca de US$ 1 bilhão para apoiar os países. 

A OMS trabalhou com organizações comunitárias, grupos religiosos, empresas de tecnologia e muitos outros grupos para combater a pandemia de informação, que chamou de infodemia. Também lançou o Acelerador ACT, que está ajudando a desenvolver e distribuir vacinas, diagnósticos e tratamentos. 

Para Tedros, a agência “produziu uma quantidade de trabalho incrível, mas ainda tem um caminho longo e difícil pela frente.” 

Seis meses mais tarde, o chefe da OMS diz que a pandemia “mostrou como a saúde não é uma recompensa pelo desenvolvimento, mas a fundação da estabilidade social, econômica e política.” 

Ele terminou dizendo que o mundo não é prisioneiro da pandemia e que todos ainda podem fazer a diferença. 

 

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