Plano de ação resgata quase 4 mil crianças de grupos armados na Nigéria
BR

27 julho 2020

Muitas foram alistadas por causa do envolvimento dos pais com militantes; movimento islâmico Boko Haram utiliza menores para atentados a bomba e escravidão sexual; expansão de atividades do grupo no Lago Chade preocupa secretário-geral António Guterres.

As crianças continuam a ser vítimas da violência do grupo terrorista Boko Haram e das operações militares das forças governamentais do país africano, apesar dos notáveis esforços e compromissos.

A informação consta do Segundo Relatório-País do Secretário Geral das Nações Unidas sobre Crianças e Conflito Armado. 

Em caso que gerou comoção mundial em 2014, movimento terrorista Boko Haram sequestrou 276 estudantes em Chibok, na Nigéria.
Em caso que gerou comoção mundial em 2014, movimento terrorista Boko Haram sequestrou 276 estudantes em Chibok, na Nigéria.  Foto: Unicef/UN0126512/Bindra

Mortos ou mutilados

O documento analisou 5.741 violações graves contra menores entre janeiro de 2017 e dezembro de 2019 na Nigéria, nos Camarões, no Chade e no Níger.

Um total de 1.433 rapazes e meninas foram mortos ou mutilados, a maioria em ataques suicidas perpetrados pelo Boko Haram. Há relato de 64 incidentes de violência sexual afetando 204 crianças, 35 ataques a escolas e hospitais e 413 sequestros.

Em nota à imprensa, a representante especial do secretário-geral da ONU para Crianças e Conflitos Armados, Virgínia Gamba, expressou a preocupação de António Guterres com a expansão das atividades do grupo através da Região da Bacia do Lago Chade, e defendeu a ideia de uma reposta regional africana a esta situação.  

Meninas que foram sequestradas e estupradas pelo Boko Haram na Nigéria.
Foto: Unicef/UN0126512/Bindra
Meninas que foram sequestradas e estupradas pelo Boko Haram na Nigéria.

Recrutamento e uso

Das 3.601 ocorrências de recrutamento ou rapto verificados, o Boko Haram é acusado de praticar 1.385. As crianças são posteriormente usadas como escravas sexuais ou colaboradores em ações de guerra, incluindo transportadoras de explosivos improvisados, conhecidas como “bombas humanas”.

A Força Tarefa Conjunta Civil foi responsável por mais de 2 mil casos antes de setembro de 2017, altura em que assinou com as Nações Unidas um Plano de Ação para pôr cobro e prevenir a situação, permitindo à ONU aceder às casernas militares para verificar os casos de violação.

Um total de 3.794 crianças ligadas a grupos armados beneficiaram-se de serviços médicos, apoio psicológico e cursos intensivos no âmbito dos programas de reintegração desenvolvidos pelos parceiros de implementação do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. 

Kedra Abakar, de 25 anos, foi raptado da sua casa na ilha Ngomiron Doumou, no Lago Chade, por terroristas do Boko Haram
ONU News/Daniel Dickinson
Kedra Abakar, de 25 anos, foi raptado da sua casa na ilha Ngomiron Doumou, no Lago Chade, por terroristas do Boko Haram

Reintegração

Gerar programas adequados e sustentáveis é, segundo Virgínia Gamba, essencial para garantir que as crianças se beneficiem de apoio necessário para reconstruírem suas vidas, voltarem à suas famílias e comunidades, instando os doadores a aumentarem o apoio financeiro aos programas, e às autoridades nigerianas a reforçarem os engajamentos de libertar as crianças e assinar o Princípio de Paris”.

A representante do secretário-geral elogiou o trabalho de proteção das crianças e os parceiros humanitários no terreno, apelou as partes a respeitarem o pessoal do ensino e da saúde, permitindo o acesso seguro e sem impedimento dos atores humanitários às populações afetadas.

Um homem carrega lenha cortada no campo de Bakassi em Maiduguri, nordeste da Nigéria, que em 2017 hospedava 21 mil pessoas deslocadas pelo Boko Haram.
© Acnur/Romain Desclous
Um homem carrega lenha cortada no campo de Bakassi em Maiduguri, nordeste da Nigéria, que em 2017 hospedava 21 mil pessoas deslocadas pelo Boko Haram.

Assistência Humanitária

Ela renovou o empenho das Nações Unidas em continuar a apoiar o governo da Nigéria e parceiros internacionais a superarem os desafios de melhoria da proteção das crianças nos conflitos armados e encorajou a Comissão a implementar na íntegra o Plano de Ação, facilitando a desvinculação de todas as crianças dos grupos armados.

As atividades humanitárias permanecem temporariamente suspensas devido à recusa de acesso humanitário a milhares de crianças, lê-se no documento que destaca o rapto e recente execução de trabalhadores humanitários como alguns dos mais cruéis incidentes do grupo terrorista.

*Da ONU News, Amatijane Candé.
 
 
 
 
 
 

 

 

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