ONU pede à Nigéria para investigar assassinato de cinco trabalhadores humanitários
BR

23 julho 2020

Em nota, secretário-geral disse que responsáveis têm de ser levados à justiça para responder pelo crime que viola a lei humanitária internacional; as vítimas haviam sido sequestradas em junho no estado de Borno, no nordeste do país africano.

O secretário-geral das Nações Unidas condenou fortemente o assassinato de cinco trabalhadores humanitários na Nigéria.

Em nota, emitida nesta quinta-feira pelo seu porta-voz, António Guterres pediu pressa nas investigações e disse que os responsáveis têm de ser levados à justiça.

António Guterres pediu pressa nas investigações e disse que os responsáveis têm de ser levados à justiça. Foto: ONU/Mark Garten

Grupo armado

Os cinco homens foram mortos na quarta-feira. Eles trabalhavam para a Comissão Internacional de Resgate, a Ação contra a Fome e a Acted. 

Os assassinatos foram realizados por um grupo armado do estado de Borno, no nordeste da Nigéria.

Guterres expressou “profundas condolências” às famílias das vítimas e disse que o ataque é uma violação da lei humanitária internacional. 

Ele afirmou que a lei de direitos humanos e a lei humanitária internacional devem sempre ser inteiramente respeitadas incluindo na obrigação de se proteger os civis.

Colegas e parceiros

O coordenador humanitário da ONU na Nigéria, Edward Kallon, expressou choque e horror com o assassinato hediondo de alguns colegas e parceiros da ONU no país. 

Ele contou que as vítimas eram trabalhadores humanitários comprometidos e que dedicaram suas vidas a ajudar os mais vulneráveis e àqueles afetados pela violência.

O sequestro do grupo ocorreu no mês passado quando eles estavam numa das principais estradas que conecta a cidade de Monguno com Maiduguri, que é a capital do estado de Borno.

© Acnur/Romain Desclous
Um homem carrega lenha cortada no campo de Bakassi em Maiduguri, nordeste da Nigéria, que em 2017 hospedava 21 mil pessoas deslocadas pelo Boko Haram.

Comunidade internacional

Kallon lembrou que este não é o primeiro assassinato trágico de agentes humanitários na Nigéria, e que a ONU tem pedido o fim desses atentados e violações às leis humanitárias. 

Para ele é inconcebível que as pessoas que estão lá para ajudar sejam alvejadas desta forma. Quase 8 milhões de pessoas na Nigéria estão precisando de ajuda para sobreviver no nordeste do país.

O número de pessoas que precisam de apoio urgente com o aumento da Covid-19 em estados afetados por conflitos é de 10,6 milhões. 

O coordenador humanitário da ONU disse que o atentado não irá deter a organização de levar ajuda a quem precisa, e que a comunidade internacional continua prestando solidariedade aos moradores dos estados de Borno, Adamawa e Iobe.

 

 

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