Brasileiro se despede da OMC dizendo que muito ainda precisa ser alcançado
BR

23 julho 2020

Em último discurso como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio,  Roberto Azevêdo diz que agência deve permanecer “numa encruzilhada” por algum tempo; ele deixa posto em 31 de agosto após mandato de sete anos.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo, despediu-se do cargo nesta quinta-feira afirmando que a agência está numa “encruzilhada”.

O embaixador, que passou sete anos no comando da OMC, afirmou que o trabalho realizado por ele tentou aproximar a agência da realidade do século 21 com medidas que têm impacto não só no comércio mundial, mas na vida das pessoas. Segundo Azevêdo, muito ainda tem de ser alcançado na agência.

Roberto Azevêdo ocupava o cargo desde 2013 e devia sair apenas em 2021. Foto: OMC

Rodada de Doha

Ele lembrou do Acordo de Facilitação do Comércio, em Bali, com regras para promover mais crescimento e desenvolvimento, e dos desafios enfrentados com a Rodada de Doha, sobre a flexibilização do comércio mundial. Para Azevêdo, a Rodada foi uma tarefa mais difícil e que ainda reserva vários desafios para se chegar a um consenso.

O diretor-geral citou algumas vitórias como a eliminação de tarifas, no valor de US$ 1,3 trilhão, sobre a geração de novos produtos de tecnologia. A medida é resultado do Acordo de Tecnologia da Informação, assinado em Nairóbi, em 2015.

O embaixador contou que a OMC foi tomada por “fortes ventos políticos” e tensões sobre o comércio internacional. 
Para Azevêdo, muitas políticas socioeconômicas dos países não fizeram tudo que poderiam para assegurar os benefícios do comércio para todos.

Revolução Digital

O chefe da agência diz que a Rodada de Doha não pode ser abandonada e que mais tem de ser feito para avançar com as negociações sobre subsídios à pesca, discussões no setor agrícola e outros tópicos importantes.

Roberto Azevêdo afirma que uma das urgências da OMC é o comércio digital, parte da realidade do século 21, e que ocorre décadas após a revolução do setor. Ele lembra que a agência tem agora 164 países-membros, e que a receita de um modelo único para todos não funciona na OMC, marcada pela diversidade de seus integrantes e suas diferentes realidades macroeconômicas.

O embaixador brasileiro agradeceu aos colaboradores da OMC e aos familiares pelo apoio recebido no cargo. Ele renunciou faltando um ano para completar o segundo e último mandato.

Roberto Azevêdo desejou sorte ao sucessor, que ainda não foi escolhido. 

Os países que apresentaram candidatos foram México, Nigéria, Egito, Moldávia, Quênia, Coreia do Sul, Arábia Saudita e Reino Unido. 
Três são mulheres (Coreia do Sul, Quênia e Nigéria).  Em meados de julho, todos apresentaram suas propostas no processo de seleção e eleição, que deve durar algumas semanas.

©MSC shipping
Pacto do comércio pode elevar o rendimento regional para 7% ou US$ 450 bilhões, estimular o aumento salarial para as mulheres, e tirar 30 milhões de pessoas da pobreza extrema até 2035.

 

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Embaixador Roberto Azevêdo informou que deixará cargo em 31 de agosto, um ano antes do término do segundo mandato; eleição ocorreu em 2013.