Relator lembra 75 anos de teste nuclear com apelo por desarmamento global
BR

16 julho 2020

Baskut Tuncak divulgou comunicado sobre o aniversário do ensaio “Trindade”, realizado pelos Estados Unidos em 16 de julho de 1945, no estado do Novo México, e que precedeu o lançamento de duas bombas nucleares contra o Japão,
no mesmo ano.
 

O relator especial* informou sobre implicações para os direitos humanos do gerenciamento correto de substâncias e lixos tóxicos em um comunicado sobre os 75 anos da realização do teste “Trindade”, nos Estados Unidos. 

O ensaio nuclear ocorreu em 16 de julho de 1945 precedendo o lançamento de duas bombas atômicas, meses depois, contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

Em 2018, o secretario-geral conversou com sobreviventes das bombas atômicas contras as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Foto: ONU Dan Powell

Ações

Para Baskut Tuncak, os perigos dos testes nucleares continuaram afetando a vida 
De pessoas inocentes e governos de todo o mundo têm que redobrar suas ações 
para alcançar o desarmamento global.

Ele lembrou que o mundo mudou para sempre após a explosão nuclear em Areias Brancas, no estado do Novo México.

Tuncak afirmou que o ensaio “Trindade”, pelos Estados Unidos, não só marcou o começo de uma nova era para a humanidade e o prelúdio das duas bombas atômicas que seriam lançadas sobre vidas inocentes no Japão, mas também um “longo e trágico legado de discriminação e de testes de armas nucleares por países”.

Desde a detonação de centenas de bombas nucleares sobre comunidades vulneráveis no Pacífico ao descarte do lixo radioativo em terras e territórios de povos indígenas, o legado de ensaios nucleares é um “dos exemplos mais cruéis da injustiça ambiental”.

Unesco/G. Boccardi
Memorial da Paz de Hiroshima, em Hiroshima, no Japão.

Hiroshima

O relator afirmou que de 1945 a 1958, foram detonadas 67 bombas nucleares nas Ilhas Marshall.  O poder dessas explosões combinadas é equivalente à detonação de 1,6 bomba de Hiroshima a cada 12 anos. Ele citou o sofrimento das comunidades expostas à contaminação radioativa, e disse que eles continuam arcando com o legado dessa contaminação ainda nos dias de hoje.

Tuncak citou o estresse e a ansiedade de dois desastres ambientais, a mudança climática levando a um aumento do nível do mar e o lixo radioativo concentrado numa espécie de “tumba” tóxica que – acredita-se – já esteja causando vazamentos. Para ele, essa é uma realidade sombria para os moradores das Ilhas Marshall, que deveria ser uma ilha pacífica e paradisíaca.

O mesmo ocorreu na Polinésia Francesa, palco de mais de 200 testes nucleares num período de cerca de três décadas entre 1966 e 1996. As explosões causaram problemas de saúde e ambientais aos habitantes.

Aiea/Paolo Contri
Instalação nuclear de Busher, no Irã.

Urânio

O relator afirmou que nos Estados Unidos, os povos indígenas continuam a enfrentar o que chamou de “tremendos impactos ambientais e de saúde” por causa do lixo tóxico com o armazenamento de urânio nas terras e territórios do povo Navajo.

Nas últimas décadas, vários indígenas no país receberam fundos para armazenar lixo nuclear.  Tuncak afirmou que na Groenlândia, foi descoberto uma quantidade de lixo radioativo deixado por militares dos Estados Unidos.
 
Para o relator, os danos causados pelo ensaio nuclear permanecem nas vidas de vítimas inocentes mesmo 75 anos após o teste Trindade.

Segundo ele, os países precisam fornecer uma solução duradoura, aceitável e adequada para essas situações como também assegurar o acesso das pessoas afetadas à justiça.  

O relator acredita que existe uma natureza discriminatória que precisa ser enfrentada, e que sem esse diálogo, os perigos da contaminação radioativa seguirão por séculos como parte de um trágico capítulo da história da humanidade.

Tuncak afirma que é hora de todos os países se remobilizarem para cooperar em seus esforços de alcançar o desarmamento nuclear.
 
 
*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário por sua atuação.
 

 

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