OMS e Unicef alertam para “declínio alarmante” de imunização de crianças
BR

15 julho 2020

Crise gerada pela Covid-19 levou à queda da cobertura de vacinas pela primeira vez em 28 anos; Angola e Brasil são parte da lista de 10 nações, onde pelo menos 66% das crianças perderam vacinas importantes no ano passado.

O número de crianças que recebem vacinas em todo o mundo teve um “declínio alarmante”, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

As agências da ONU informam que essas interrupções causadas pela pandemia de Covid-19 ameaçam o avanço nas taxas de vacinação dos últimos anos.

Segurança

Somente nos primeiros quatro meses de 2020, houve uma redução drástica na quantidade de imunizações contra difteria, coqueluche e tétano, a vacina tríplice. É a primeira vez em 28 anos que o mundo vê uma redução como essa.

Em comunicado, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que as vacinas, uma poderosa ferramenta de saúde, nunca chegaram a tantas crianças como na atualidade. Mas “a pandemia colocou esses ganhos em risco.”

Tedros afirma que a falta de imunização não pode levar a mais mortes que a própria Covid-19. Para ele, “as vacinas podem ser distribuídas com segurança, mesmo durante a pandemia.”

Interrupções

Pelo menos 30 campanhas de vacinação contra o sarampo estão sob risco de cancelamento, o que pode levar a novos surtos. De acordo com uma pesquisa, divulgada em maio, cerca de 75% dos 82 países sofreram interrupções na vacinação. 

Com medo da contaminação, as pessoas não querem sair de casa, encontram barreiras econômicas e de transporte. 

Muitos profissionais de saúde também não podem trabalhar devido a restrições de viagens, ou por falta de equipamento de proteção.

A diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, afirma que "a Covid-19 transformou a vacinação de rotina num desafio assustador."
Em comunicado, ela pede a retomada urgente dos programas de vacinação, “antes que a vida das crianças seja ameaçada por outras doenças.”

Cobertura global

Mesmo antes da crise, a cobertura de imunização já havia estagnado na última década. A probabilidade de uma criança nascida hoje receber todas as vacinas recomendadas antes dos 5 anos é inferior a 20%.

Paulina, de 10 anos, sendo vacinada em centro da Venezuela apoiado pelo Unicef, Unicef/William Urdaneta

Em 2019, quase 14 milhões de crianças não foram vacinadas contra sarampo, difteria, tétano e coqueluche. A maioria dessas crianças vive na África e não tem acesso a outros serviços de saúde.

Dois terços estão concentrados em 10 países de rendas média e baixa, incluindo os lusófonos Angola e Brasil. Também fazem parte da lista República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão e Filipinas.

E a porcentagem de crianças não vacinadas em países de renda média está crescendo. 

Progresso e desafios

Mas também existem avanços. No sul da Ásia, por exemplo, a cobertura regional para a terceira dose da vacina tríplice aumentou 12 pontos percentuais nos últimos 10 anos, principalmente em países como Índia, Nepal e Paquistão. 

Já na América Latina e o Caribe, a situação passou a preocupar. Ali, a cobertura atingiu níveis históricos, mas caiu na última década. Brasil, Bolívia, Haiti e Venezuela tiveram uma redução de pelo menos 14 pontos percentuais desde 2010. 

Trabalho

O Unicef e a OMS estão apoiando os países em seus esforços para recuperar as perdas ocorridas na pandemia. 

Dentre as ações estão o apoio  a serviços de saúde com medidas de higiene e segurança e equipamentos de proteção aos profissionais do setor ajudando a alcançar comunidades remotas e crianças em situação vulnerável.

 

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