Conselho de Segurança analisa relatório sobre situação na Colômbia
BR

14 julho 2020

Chefe da missão política da ONU no país diz que apesar de esforços do governo, de ex-integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc, e líderes sociais, ainda existem casos de violência e assassinatos; desde que o Acordo de Paz foi firmado, em 2016, pelo menos 210 ex-combatentes foram mortos.

O representante especial do secretário-geral para a Colômbia, Carlos Ruiz Massieu, elogiou o que chamou de “perseverança do governo e das Farc além de vários outros atores para continuar os esforços de construção da paz, apesar das dificuldades “, no país.

Ruiz Massieu falou ao Conselho de Segurança da ONU, nesta terça-feira, por videoconferência. A reunião marcou o retorno embaixadores do órgão ao prédio da ONU, de onde haviam se distanciado em meados de março por causa da Covid-19. 

Missão de Verificação da ONU na Colômbia monitora reintegração de ex-membros das Farc, Unvmc

Dificuldades

O representante afirma que o país ainda enfrenta situações de insegurança vividas por ex-combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc, defensores de direitos humanos e líderes sociais. Segundo ele, esta continua a ser a maior preocupação das Nações Unidas.

Apesar das ações implementadas com o Acordo de Paz, pelo menos 210 ex-integrantes das Farc foram mortos na Colômbia. 

Para Ruiz Massieu, “a violência contra aqueles que deixaram as armas e aqueles que defendem os direitos humanos e os direitos das comunidades arrasadas pelo conflito continua sendo a ameaça mais séria à construção da paz.” Ele citou ainda o recrutamento de menores.  As áreas mais afetadas são Cauca, el Meta, Putumayo, el Chocó, Nariño y Antioquia.

Soluções

No relatório do secretário-geral sobre a situação na Colômbia, apresentado ao Conselho de Segurança, a Missão da ONU no país, ressalta a presença de instituições do Estado como a solução para a violência nas áreas rurais.

Ruiz Massieu falou sobre o Programa Nacional de Substituição de Cultivos Ilícitos, criado pelo Acordo de Paz. O objetivo é libertar as comunidades da influência dos grupos armados e organizações criminosas, oferecendo uma alternativa de renda. 
Novos projetos foram aprovados para o processo de reintegração, mesmo durante a pandemia, que afetou algumas iniciativas de ex-combatentes. Ruiz Massieu que o apoio a esse grupo se faz ainda mais urgente agora, assim como o apoio à reintegração socioeconômica das mulheres que lutaram nas Farcs.

Armas entregues por ex-combatentes das Farc, Unvmc/Laura Santamaría

Para o representante, o Conselho Nacional de Reintegração deve ainda reativar os grupos de trabalho sobre crianças e jovens e considerar a criação de um grupo de trabalho sobre ex-combatentes de origem indígena e afrodescendentes.

Violência sexual

Uma outra preocupação da ONU são relatos de violência sexual cometidos por membros das forças de segurança. Ruiz Massieu disse que “os colombianos ficaram horrorizados” e que os casos, que já estão sendo investigados, foram “fortemente condenados pelo presidente e pelo ministro da Defesa.”

O chefe da Missão da ONU na Colômbia contou que a violência ligada à pandemia tem alvejado mulheres, e que é preciso combater o problema em parceria com ex-integrantes das Farcs, líderes sociais e defensoras dos direitos humanos.
Carlos Ruiz Massieu afirmou que “a voz do Conselho de Segurança e seu engajamento ativo têm sido um apoio essencial à paz na Colômbia.” 

Ele reiterou o apelo do secretário-geral a um cessar-fogo global, dizendo que “não há justificativa para continuar infligindo violência aos colombianos que já estão atravessando dificuldades tremendas.”

 

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