Abertura de corredor humanitário no Sudão possibilita ajuda a 350 mil pessoas

14 julho 2020

Comunidades no país são atendidas, pela primeira vez, em uma década; centenas de milhares de pessoas vivem com pouco ou nenhum acesso a água, à higiene e ao saneamento, segundo estudo da ONU.*
 

As Nações Unidas e demais parceiros conseguiram, nos últimos nove meses, fornecer ajuda humanitária a pelo menos 350 mil pessoas em zonas inacessíveis da localidade de Jebel Marra, no Sudão.

Oficial da Unamid fala com residente de assentamento Zam Zam, perto de Darfur Norte. Foto: ONU/Albert Gonzlez Farran

Escassez

A assistência vem na sequência da abertura de corredores humanitários, conseguida no final do ano passado graças à intervenção da Missão Conjunta ONU-União Africana em Darfur, Unamid, e atores não-estatais numa parceria com o governo sudanês.

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, no seu mais recente relatório, uma avaliação de necessidades realizada na área nos finais de junho conseguiu alcançar, pela primeira vez em 10 anos, algumas comunidades.

Constatações preliminares do estudo apontam que centenas de milhares de pessoas na região têm pouco ou nenhum acesso à água potável, à higiene e a produtos de saneamento. Figura também da lista de carências: a saúde, nutrição, educação, e serviços de proteção.

Intervenção

A Organização Internacional para Migrações, OIM, é uma das agências da ONU envolvidas no recenseamento da população e no fornecimento das necessidades humanitárias de emergência. Os beneficiários recebem comida, água e abrigos. Suprimentos não alimentares incluem serviços de saúde, saneamento, higiene e educação.   

Só na aldeia de Gorlanbang, há cerca de 127 mil pessoas, incluindo 11, 8 mil deslocadas de aldeias vizinhas e 9,4 mil repatriadas, segundo líderes comunitários. 

Foto: Acnur/Modesta Ndubi
Najla Umda Adam Suleiman, de 19 anos, fugiu com a família para o Chade quando tinha apenas três anos de idade após o conflito em Darfur.

Medo

Os deslocados afirmam que desde 2017 não conseguem viajar para suas aldeias de origem devido a questões de segurança. O medo de estupro também impede que mulheres trabalhem nas quintas ou saiam em busca de lenha na mata. 

A mais recente missão do Escritório da ONU para a Coordenação dos Assuntos Humanitários avaliou a situação nas áreas controladas pelo governo e as seguradas pelo Movimento de Liberação do Sudão de Abdelwahid El Nur.

 

 *Amatijane Candé para a ONU News.

 

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