Relatora da ONU quer mais ação de governos para combater violência às jornalistas BR

A violência contra jornalistas no Twitter também costuma ser acompanhada de ataques em outros lugares
ONU/Violaine Martin
A violência contra jornalistas no Twitter também costuma ser acompanhada de ataques em outros lugares

Relatora da ONU quer mais ação de governos para combater violência às jornalistas

Direitos humanos

Comunicado cita 96 assassinatos de mulheres no exercício da profissão desde 1992; elas também sofrem ameaças de agressão sexual e estupro, além de ataques à credibilidade; Dubravka Simonovic citou “aumento alarmante” da violência de gênero durante pandemia.

Mulheres que trabalham no jornalismo enfrentam perigos específicos e os governos devem fazer mais para protegê-las da violência de gênero. O apelo é da relatora especial para a violência a mulheres, Dubravka Simonovic.

A especialista apresentou um relatório sobre o tema, nesta quarta-feira, no Conselho de Direitos Humanos. Segundo ela, desde 1992, 96 jornalistas foram mortas enquanto trabalhavam.

Perigos

Relatora especial Dubravka Simonovic
Relatora especial Dubravka Simonovic, Unic/Buenos Aires

O número de homens jornalistas assassinados, anualmente, é superior ao de mulheres. Mesmo assim, as jornalistas continuam enfrentando agressão sexual e estupros, e ameaças de estupro como forma de ataque à credibilidade delas, ou de chantagem para que elas deixem de atuar na mídia e na imprensa.

Dubravka Simonovic pediu aos governos para garantir a segurança dessas profissionais com base nos ditames dos direitos humanos, eliminando discriminação e a violência de gênero.

O relatório cita movimentos sociais globais como o #MeToo e o #NiUnaMenos sobre temas como assédio sexual e outras formas de violência. Essas plataformas foram usadas por jornalistas e artistas para denunciar os abusos. 

Simonovic acredita que a internet está ajudando a transformar a sociedade ao evidenciar os casos, mas por outro lado também ajuda a criar oportunidades de mais violência.

Minorias

Para a relatora especial, "as jornalistas representam, visivelmente e cada vez mais, os direitos das mulheres." A discriminação é maior quando essas profissionais pertencem a minorias indígenas ou Lgbt.

A especialista destaca ainda um “aumento alarmante” da violência de gênero durante a pandemia de Covid-19 e renova o pedido para que seja criado, em nível das Nações Unidas, uma estratégia global para combater e prevenir este tipo de violência.

Lembrando o apelo do secretário-geral, António Guterres, Simonovic terminou dizendo que “as mulheres têm o direito de estar seguras em suas próprias casas” e que “quaisquer medidas para combater a pandemia devem respeitar os direitos humanos e as necessidades das mulheres.”