Ataques cibernéticos e bioterrorismo se aproveitam de fragilidades geradas por pandemia
BR

6 julho 2020

Em discurso de abertura da Semana sobre Contraterrorismo, na ONU, secretário-geral António Guterres afirmou que mundo vive maior crise desde a fundação das Nações Unidas, há 75 anos; ele alertou para utilização da pandemia por grupos como Isil, Al Qaeda e outros, com o objetivo de criar divisões.
 

As Nações Unidas abrigam, a partir desta segunda-feira, em Nova Iorque, a Semana sobre Contraterrorismo. O evento virtual debate formas de enfrentar o problema num mundo afetado pela pandemia da Covid-19.

Ao discursar na abertura da Semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o mundo vive uma crise jamais vista desde a fundação da organização em 1945.

O secretário-geral propôs cinco áreas de atuação multilateral começando por lançar mão do momento de combate ao terrorismo. Foto ONU/Evan Schneider

Juventude

Esta é a segunda vez que as Nações Unidas realizam a Semana sobre Contraterrorismo. Este ano, o evento inclui a Revisão Bienal da Estratégia da ONU sobre o tema, o primeiro Congresso Global sobre Vítimas do Terrorismo e a Conferência de Alto Nível dos Chefes de Agências Contraterrorismo dos países-membros da ONU.

Representantes da sociedade civil também devem participar das mesas redondas e debates em temas que vão desde estratégias de Estados no combate ao problema a financiamento do terrorismo, mídia e iniciativas da juventude para a formação de sociedades resilientes.

Economia

O secretário-geral da ONU ressaltou que o novo coronavírus expôs fragilidades que estão sendo aproveitadas por grupos para promover ataques cibernéticos, bioterrorismo e abusar da tecnologia digital na execução de crimes.

Ele lembrou que a pandemia está causando uma série de transtornos à economia, aos sistemas de saúde e outros serviços. 

Para Guterres, ainda é cedo para avaliar o impacto da Covid-19, mas que já sabe que grupos terroristas como Isil, Al Qaeda e associados, assim como agremiações supremacistas, nazistas e de grupos de ódio tentam explorar divisões, conflitos locais e falhas do governo para se afirmarem.

Unicef/Alessio Romenzi
Criança brinca em ruínas de edifício destruído por combates entre forças de segurança iraquianas e Isil.

Iraque e Síria

O chefe da ONU contou que o Isil continua tentando se fortalecer no Iraque a na Síria com milhares de combatentes estrangeiros à procura de conflitos em qualquer parte. Muitos estão em prisões temporárias.

Para combater o terrorismo, que não respeita fronteiras, os países precisam cooperar na busca de soluções práticas.

O secretário-geral propôs cinco áreas de atuação multilateral começando por lançar mão do momento de combate ao terrorismo fortalecendo ações nacionais, regionais e globais.

Em segundo lugar, ele sugere um monitoramento mais estreito de ameaças e tendências terroristas, e uma resposta inovadora, que esteja à frente dos terroristas.

ONU/Mark Garten
Guterres destacou que os desafios geopolíticos e as graves ameaças à segurança retornaram aos holofotes.

Gênero e misoginia

Guterres acredita que as respostas devem ser sensíveis ao gênero, e reconhecer que muitos desses grupos são misóginos, protegendo assim os direitos humanos. 

Em terceiro: as medidas de contraterrorismo e de segurança jamais podem ser uma desculpa para repressão e supressão das liberdades e direitos fundamentais.

Como quarto ponto, o secretário-geral ressalta a urgência de combater a propagação de narrativas terroristas de forma sensível à pandemia e holística.

António Guterres revela que é preciso, como responsabilidade de todos, promover a repatriação de estrangeiros incluindo mulheres e crianças, que estão em acampamentos da Síria e do Iraque, sob risco da Covid-19 piorando uma situação que já é grave devido à insegurança e às condições humanitárias.

Troca de informações

Em quinto lugar, ele pede o fortalecimento da troca de informações sobre bons exemplos no combate ao terrorismo dentro da realidade da pandemia. E diz que a Semana sobre Contraterrorismo deve facilitar essas experiências.

O chefe da ONU afirma que o combate ao terrorismo tem sempre que estar de acordo com as leis internacionais.  

Para ele, o sucesso para o combate ao terrorismo deve estar na defesa desses valores.

A Semana sobre Contraterrorismo deve ocorrer até 3 de julho.
 

 

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