OIT realiza Encontro de Cúpula Global sobre Covid-19 e o Mundo do Trabalho
BR

5 julho 2020

Agência da ONU diz que cenários para os próximos seis meses são pessimistas; América Latina preocupa com metade dos trabalhadores no setor informal e sem acesso à previdência; região tem ainda maior redução de carga horária, o que representa perdas de postos de trabalho. 

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, alertou sobre a recuperação da economia e dos níveis de emprego pelos próximos seis meses. Segundo a agência, nenhum dos três cenários possíveis, analisados pela OIT, apontam para uma situação melhor do que a registrada antes da pandemia de Covid-19.

Esta semana, a agência da ONU realiza um Encontro de Cúpula Global sobre a Covid-19 e o Mundo do Trabalho. Para o diretor-geral Guy Ryder, as decisões tomadas agora deverão influenciar não somente os próximos anos, mas também as condições do mundo laboral após 2030.

OIT disse que o segundo semestre de 2020 será marcado por incertezas e uma recuperação incompleta. 
OIT disse que o segundo semestre de 2020 será marcado por incertezas e uma recuperação incompleta. Foto: OIT/ Marcel Crozet

Modelo

Em comunicado, divulgado na semana passada, a OIT disse que o segundo semestre de 2020 será marcado por incertezas e uma recuperação incompleta. 

Ryder afirma que durante o segundo trimestre deste ano, a média da carga horária laboral sofrerá uma redução de 14%. O número equivale a uma perda de 400 milhões de postos de trabalho, de tempo integral.

A OIT traçou o prognóstico com base num modelo que presume a recuperação econômica e projeta uma redução da jornada de trabalho na casa de 4,9%, o que representa 140 milhões de empregos.

Segunda leva

O cenário mais pessimista seria baseado na segunda leva da pandemia e no retorno das restrições impostas na primeira fase da propagação da doença. O que, por si, atrasaria a retomada econômica. Já o aumento na perda carga horária seria de 11,9%.  Nesse caso, 340 milhões de empregos desapareceriam da noite para o dia.

Mais de nove em 10 trabalhadores no mundo continuam a viver em países que atravessam algum tipo de fechamento da economia. As Américas são a região com o maior número de restrições. 

O cenário mais pessimista seria baseado na segunda leva da pandemia e no retorno das restrições impostas na primeira fase da propagação da doença.
ONU Mexico/Gabriela Ramírez
O cenário mais pessimista seria baseado na segunda leva da pandemia e no retorno das restrições impostas na primeira fase da propagação da doença.

Bem-estar social

Essa foi também a área do mundo pior afetada até o momento com a carga horária afundando 18,3%, segundo o Monitor OIT sobre a Covid-19 no mundo laboral. 

No caso da Europa e da Ásia Central, a previsão de redução é de 13,9% seguida de Ásia-Pacífico com 13,5%, Países Árabes com 13,2% e da África com 12,1%.

A OIT manifestou preocupação com os trabalhadores do setor informal que não participam de uma rede de cobertura de bem-estar social e previdência. 

Para o diretor-geral da agência, a América Latina é a região com o maior número de pessoas nessa situação, basicamente metade de toda a força de trabalho vive sem acesso à previdência.

A OIT manifestou preocupação com os trabalhadores do setor informal que não participam de uma rede de cobertura de bem-estar social e previdência. 
Rovena Rosa/Agência Brasil
A OIT manifestou preocupação com os trabalhadores do setor informal que não participam de uma rede de cobertura de bem-estar social e previdência. 

Pacotes de estímulo

Até agora, o mundo já empregou mais de US$ 10 trilhões em pacotes de estímulo para apoiar os trabalhadores afetados pelas consequências da pandemia. Mas a quantia é altamente concentrada, com 88% sendo empregados por países desenvolvidos. No caso dos países em desenvolvimento e economias emergentes a porcentagem é de 2,2%, e ainda menor para as nações menos desenvolvidas do mundo. 

O chefe da OIT, Guy Ryder, disse que com o avanço da pandemia, as discrepâncias sobre as condições para trabalhadores de países ricos e pobres deverão ficar ainda mais evidentes. 
Para ele, a solução está na cooperação entre as nações desenvolvidas e em desenvolvimento. 

 

 

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