América Latina deve se preparar pelos próximos dois anos contra Covid-19
BR

28 junho 2020

Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, afirma que liderança, uma boa base de dados e sistemas de saúde robustos são elementos chave para assegurar resposta eficiente à pandemia; FMI avisa que América Latina e Caribe sofrerão a pior recessão da história com a pandemia.

As consequências da pandemia do novo coronavírus nos países da América Latina e do Caribe deverão merecer uma resposta robusta dos governos da região pelos próximos dois anos. 

A declaração foi dada pela diretora-geral da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, Carissa Etienne. Ela afirmou que na ausência de uma vacina ou tratamentos eficientes, a região deverá sofrer com novos surtos e casos da Covid-19 pelos próximos dois anos ou mais. 

As áreas mais afetadas são a América Central e o Brasil além de outros países da América do Sul. Foto: Diogo Moreira/Governo de Sao Paulo

Barreiras

E para Etienne, a liderança política pode ser a chave do sucesso ou do fracasso da resposta à crise. A chefe da Opas acredita que é papel dos líderes agora é angariar o apoio que precisarão para lidar com esse desafio sem precedentes eliminando divisões políticas e barreiras geográficas.

Até 23 de junho, as Américas haviam registrado 4,5 milhões de casos de Covid-19 com mais de 226 mil mortes. Desde o mês passado, o número de novas infecções triplicou na região. As áreas mais afetadas são a América Central e o Brasil além de outros países da América do Sul.  No Caribe, os pontos de alerta estão no Haiti e na República Dominicana com altas taxas de contaminação.

A chefe da Opas diz que é preciso ser realista e enfrentar o que ela chamou de um “novo normal” na situação da pandemia.

Ameaça tripla

Os países-membros da Opas estão debatendo uma resolução sobre a ameaça tripla da pandemia para a saúde, o bem-estar e à economia. A agência acredita que um monitoramento constante é vital no combate à doença assim como sistemas de saúde robustos, uma boa base de dados e governança.

A chefe da Opas, Carissa Etienne, pediu ainda um reforço nos diagnósticos de casos suspeitos, testagem em laboratório, rastreamento e quarentena.

Segundo ela, sistemas de saúde forte são a defesa mais eficiente contra a pandemia da Covid-19, atualmente e no futuro. A Opas recomenda investimentos de pelo menos 6% do Produto Interno Bruto, PIB, para a área da saúde. E no caso do orçamento de saúde pública, pelo menos um terço deve ser alocado para os cuidados primários.

Etienne acredita que os profissionais na linha de frente da resposta à pandemia têm de ser apoiados. E com a cooperação regional, os países podem sim vencer a pandemia.

Opas Barbados/Brenda Lashley
Regras sobre vacinas serão anunciadas até a primeira semana de julho.

Crescimento

Ainda na semana passada, durante um encontro em Madri, na Espanha, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, FMI, informou que a América Latina e Caribe foram fortemente afetados com as consequências socioeconômicas do coronavírus.

Kristalina Georgieva contou que entre 2020 e 2021, a economia global deverá perder US$ 12 trilhões e 10% dessas perdas totais ocorrerão na América Latina, que terá uma recessão de 9,3%, a pior da sua história.

Fortemente dependente de turismo e do mercado de commodities, a América Latina e o Caribe só deverão se recuperar em 2021, com uma previsão de crescimento de 3,7%. 

Opas
Até 23 de junho, as Américas haviam registrado 4,5 milhões de casos de Covid-19 com mais de 226 mil mortes.

Plataformas digitais

Algumas providências iniciais de governos como na Argentina e Paraguai com programas de transferências de renda e assistência alimentar para famílias mais carentes têm ajudado a contornar os danos. Chile, Peru e Colômbia estão facilitando empréstimos a pequenas e médias empresas, e fornecendo subsídios salariais.

Para Georgieva, os governos devem procurar políticas eficientes de intervenção para conter a pandemia, reduzir o risco de contágio e distribuir auxílios e informação incluindo através de plataformas digitais.
A chefe do FMI disse que o órgão está disposto a assistir os países e já dobrou sua linha de empréstimo para socorrer os casos mais urgentes.

 

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