FMI baixa previsões para 2020 e espera recessão global de 4,9%
BR

24 junho 2020

Economia mundial deve ter recuperação parcial apenas em 2021 crescendo 5,4%; economia brasileira pode retroceder 9,1% este ano; organização destaca alto grau de incerteza, com vacinas representando uma esperança e segunda leva de infecções um risco.

Fundo Monetário Internacional, FMI, atualizou suas previsões para a economia mundial. A organização está agora projetando uma recessão mais profunda em 2020 e uma recuperação mais lenta para o próximo ano.

O Produto Interno Bruto, PIB, deverá cair 4,9% em 2020, mais 1,9% do que na previsão de abril. Para 2021, o FMI prevê uma recuperação parcial, com crescimento de 5,4%. Em dois anos, a economia mundial deve perder de US$ 12 trilhões.

Reabertura

Mais de 75% dos países estão reabrindo, mas a pandemia está se intensificando em muitos mercados emergentes. Segundo o FMI, “sem uma solução médica, a força da recuperação é muito incerta e o impacto sobre setores e países é desigual.”

Em relação a regiões, a economia da Zona Euro deve cair 10,2% e os Estados Unidos 8%. O PIB na América Latina e Caribe deve se reduzir 9,4%, incluindo o Brasil, onde a economia pode encolher 9,1%.

Os países da África Subsaariana enfrentam riscos de uma recessão de 3,2%. A exceção no mundo seria a China crescendo cerca de 1%.

Incerteza

A organização destaca, no entanto, muita incerteza nas previsões. 

No lado positivo, notícias sobre vacinas e tratamentos podem levar a uma retomada mais rápida. Por outro lado, novas ondas de infecções podem reverter ganhos na abertura da economia. Tensões geopolíticas e comerciais também prejudicariam o comércio internacional com queda de 12%.

Todos os países serão afetados. Economias avançadas devem cair 8% e mercados emergentes cerca de 3%. Em mais de 95% dos países o rendimento capita deve cair. 

A retomada da atividade acontecerá de forma desigual. Por um lado, a baixa na demanda leva ao aumento nos gastos em setores como varejo, mas setores como hospitalidade, viagens e turismo devem continuar sofrendo. Os países dependentes desses setores podem sofrer o impacto por um período prolongado.

Trabalhadores

Segundo a pesquisa, o mercado de trabalho “foi severamente atingido e em velocidade recorde, principalmente para trabalhadores de baixa renda e semiqualificados que não têm a opção de trabalho a distância.”

Agora, a expectativa é de que a atividade em setores com muita mão-de-obra, como turismo e hospitalidade, permaneça moderada, o que pode piorar a desigualdade de renda e aumentar a pobreza.

Resposta

O FMI afirma que “a recuperação está se beneficiando de um apoio político excepcional, particularmente nas economias avançadas.” O apoio fiscal global atingiu mais de US$ 10 trilhões. No lado da política monetária, foram feitos cortes nas taxas de juros, injeções de liquidez e compras de ativos.

Segundo a organização, essas medidas conseguiram apoiar os meios de subsistência e evitar falências em larga escala, ajudando assim a reduzir danos duradouras e ajudando a recuperação.

Dada a grande incerteza, os políticos devem permanecer vigilantes, adaptando políticas consoante a evolução da situação. 

A saúde deve ser uma prioridade, mesmo quando os países reabrem. A capacidade de realizar testes deve continuar melhorando, assim como medidas de rastreamento, isolamento, distanciamento seguro e uso de máscaras. 

Apoio

O FMI diz que pessoas que trabalham em atividades muito restringidas devem receber apoio de renda, através de subsídio de desemprego, subsídios salariais e transferências de renda. Em relação às empresas, pagamento de impostos e empréstimos podem ser adiados, garantias de crédito podem ser facilitadas e subsídios atribuídos.

O apoio político também deve começar se voltando para o regresso ao trabalho, facilitando a realocação de trabalhadores para setores com demanda crescente e apoiando treinamento de trabalhadores que enfrentam maior risco de desemprego de longa duração. 

Sede do FMI em Washington, nos Estados Unidos, IMF/Henrik Gschwindt de Gyor

A crise também cria desafios de médio prazo. Em nível global, a relação entre dívida pública e PIB deve atingir o nível mais alto da história. Os Estados-membros precisarão de estruturas fiscais que permitam uma consolidação a médio prazo, reduzindo gastos desnecessários, ampliando a base tributária e minimizando a evasão fiscal.

Futuro

Ao mesmo tempo, a crise representa uma oportunidade para acelerar a mudança para um crescimento mais produtivo, sustentável e equitativo. O FMI afirma que a cooperação entre os países continuará sendo importante para lidar com uma crise que é verdadeiramente global.

A organização afirma que “todos os esforços devem ser feitos para resolver as tensões comerciais e tecnológicas, enquanto melhoram o sistema de comércio multilateral.”

Para terminar, o FMI informa que continuará garantindo níveis de liquidez internacional adequados, financiamento de emergência para países em necessidade e apoiando a iniciativa de suspensão de pagamentos de dívida promovida pelo Grupo das 20 maiores economias do mundo, G-20.

 

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