Crise de Covid-19 deve afetar acesso e preços de antirretrovirais contra HIV
BR

22 junho 2020

Quase 25 milhões de pessoas se tratavam com esses medicamentos em 2019; falta de antirretrovirais coloca vidas em risco e pode aumentar casos de transmissão; crianças soropositivas podem ser as mais atingidas; fabricantes na Índia concentram 80% da produção global desses antiretrovirais.

A Covid-19 pode ter um efeito significativo no fornecimento de medicamentos antirretrovirais em todo o mundo, afirma um novo estudo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids.

A pesquisa mostra que os bloqueios e fechamentos de fronteiras estão afetando a produção de medicamentos e sua distribuição e podem levar a aumentos de custos e falta de estoque nos próximos dois meses.

Medidas

Alguns dos regimes de tratamento de primeira linha e os medicamentos para crianças devem ser os mais atingidos.

Para a diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, "é vital que os países façam planos urgentes para mitigar a possibilidade e os impactos de custos mais altos e disponibilidade reduzida."

Winnie Byanyima disse que os governos e instituições que oferecem estes medicamentos precisam "garantir que todos atualmente em tratamento continuem, para salvar vidas e impedir novas infecções."

Riscos

No final de junho de 2019, 24,5 milhões de pessoas faziam a terapia antirretroviral. Além disso, milhões de pessoas tendem a se expor a um risco maior de transmissão do HIV. Segundo a agência, uma interrupção de seis meses na África Subsaariana poderia causar 500 mil mortes adicionais.

A produção foi afetada por vários fatores. O transporte aéreo e marítimo está severamente restringido, dificultando a distribuição de insumos que as empresas precisam para fabricar os medicamentos. O distanciamento físico e os bloqueios também restringem os recursos humanos disponíveis nas instalações de fabricação.

Aumento dos custos indiretos de transporte, fornecimento alternativo dos principais materiais e ingredientes e flutuações cambiais são outros fatores. Apenas na Índia, um aumento de 10% a 25% nesses fatores pode aumentar o custo entre US$ 100 milhões e US$ 225 milhões.

Em Côte d’Ivoire, conselheiro da Unicef informa adolescente sobre antiretrovirais, Unicef/Olivier Asselin

O Unaids afirma que, considerando o déficit no financiamento do HIV de mais de US$ 7 bilhões em 2018, “o mundo não pode arcar com um peso adicional sob os investimentos na resposta à Aids.”

Resposta

A agência está a trabalhar com vários parceiros para mitigar o impacto, tendo publicado uma série de recomendações para governos e fornecedores.

O Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária forneceu financiamento imediato de US$ 1 bilhão. Além disso, está expandindo o uso de sua plataforma de compras para países não beneficiários do Fundo Global.

O Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Combate à Aids está promovendo a continuidade do tratamento, implementando novas estratégias, como a telemedicina, e permitindo alguma flexibilidade do programa.

Já a Organização Mundial da Saúde, OMS, analisa informações sobre os serviços que foram afetados e está em contato com fabricantes e governos para avaliar produtos alternativos e possíveis medidas de mitigação. 

A pesquisa do Unaids coletou informações de oito fabricantes da Índia, que juntos representam mais de 80% da produção de medicamentos antirretrovirais genéricos em todo o mundo. Também foram avaliados departamentos governamentais em sete outros países responsáveis pela maior parte da produção em países de baixa e média renda.

 

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