Mundo registra recorde de quase 80 milhões de deslocados internos e refugiados
BR

20 junho 2020

Número representa quase o dobro do anunciado há uma década; pessoas fogem de guerra, violência, perseguição e outras emergências; alto comissário para Refugiados ressalta que somente no ano passado, de 8,7 milhões a 11 milhões de pessoas tornaram-se deslocadas.

As Nações Unidas divulgaram, nesta quinta-feira, o relatório “Tendências Globais” sobre o movimento de pessoas deslocadas por violência, perseguição, conflitos e outras emergências. 

Ao todo, são 79,5 milhões de pessoas vivem nessa condição. O número representa quase o dobro de deslocados e refugiados há uma década em todo o globo. O total de deslocados com status de refugiado é de 26 milhões.

Alto comissário

Com isso, uma em cada 97 pessoas, no mundo, vive como deslocada interna ou refugiada.  Somente no ano passado, mais 8,7 milhões foram adicionadas à lista e os países em desenvolvimento são os mais duramente afetados. Mas outras metodologias indicam que 11 milhões de pessoas passaram a esta situação.

O Acnur estima que entre 30 milhões e 34 milhões de deslocados sejam crianças.  O alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, disse que este é o maior número já registrado pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur. 

Falando a jornalistas em Genebra, Grandi contou que o tema afeta a todas as nações, mas os países pobres continuam abrigando 85% daqueles que são forçados a fugir de suas casas.

Afeganistão

O alto comissário conta que a situação deve ser um tema global, mas que afeta principalmente os países em desenvolvimento.

As maiores emergências continuam ocorrendo do Afeganistão à República Centro-Africana e Mianmar.

Outras nações e regiões consideradas críticas são a República Democrática do Congo, Burkina Fasso e a região do Sahel além da Síria.

O relatório Tendências Globais revela que 73% dos quase 80 milhões de deslocados internos e refugiados buscaram abrigo em países vizinhos.

Quase sete em 10 deslocados vieram da Síria, da Venezuela, do Afeganistão, do Sudão do Sul e de Mianmar. 

Covid-19

Um outro desafio é o impacto da Covid-19 sobre as pessoas em movimento. Grandi disse que está bem preocupado com a piora da pobreza e das crises já enfrentadas pelos refugiados e deslocados.

Ele também citou a estagnação da crise dos refugiados rohingya, que estão em Bangladesh fugindo da violência no país vizinho, Mianmar.  

Segundo ele, um grande número de refugiados está deixando Bangladesh em direção à Malásia e a outros Estados no sudeste da Ásia. Para ele, o movimento está associado à crise da pandemia.

Venezuela

Pela primeira vez, a Venezuela registrou mais de 3,5 milhões de deslocados internos no relatório do Acnur. Em parte, devido ao aumento de refugiados entre 2018 e 2019 por causa da intensificação da crise política e humanitária.

 

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