Cepal e FAO sugerem “auxílio contra fome” para América Latina e Caribe
BR

17 junho 2020

Criação do benefício integra pacote com 10 sugestões de medidas para evitar que a crise de Covid-19 se transforme numa crise de insegurança alimentar para a região; Comissão Econômica para América Latina e Caribe, Cepal, e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, dizem que pandemia ameaça progressos obtidos nos últimos 15 anos na área.

A América Latina e o Caribe devem sofrer um golpe histórico na luta contra a fome por causa da pandemia.  Com as previsões de contração econômica de 5,3%, a região pode ver desaparecer os sucessos alcançados, em quase duas décadas, no combate à fome. 

A declaração é do representante regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, Julio Berdegué.

Produtores de alimentos

Nesta terça-feira, ela participou de uma reunião virtual ao lado da chefe da Comissão Econômica para América Latina e Caribe, Cepal, Alicia Bárcena. 

As duas agências sugeriram a criação de um “auxílio contra fome” para apoiar as pessoas mais carentes assim como os produtores de alimentos. A proposta é parte de um pacote de 10 medidas para driblar a ameaça de insegurança alimentar.

Eles apresentaram o relatório “Prevenindo que a crise da Covid-19 se torne uma crise alimentar: medidas urgentes contra a fome na América Latina e no Caribe”.

A pandemia chegou num momento em que a região se recuperava de sete anos de um crescimento econômico lento.

A crise pode lançar 16 milhões de pessoas na pobreza extrema já no próximo ano. No momento, quase 54 milhões de latino-americanos não têm o suficiente para comer.

Maior tarefa

A Covid-19 levou a uma alta no preço dos alimentos. Com o aumento do desemprego, milhões de pessoas não têm como comprar comida e outros lançam mão de alimentos menos nutritivos por falta de dinheiro.

A chefe da Cepal, Alicia Bárcena, acredita que a maior tarefa agora é evitar que a pandemia cause uma crise alimentar.  O relatório recomenda a concessão do “auxílio contra fome” por seis meses para aqueles que vivem na pobreza extrema.

A distribuição do benefício pode ser por transferência de dinheiro, cestas básicas ou cupons equivalentes a 70% da linha regional de extrema pobreza, ou abaixo de US$ 50 por mês. O custo total seria de US$ 23,5 bilhões.
A Cepal e a FAO também sugerem que os produtores de alimentos recebam um aumento de pelo menos 20% na média da carteira de crédito dos últimos três anos. Uma linha de crédito especial de bancos multilaterais e de desenvolvimento.

As famílias também devem receber um investimento de US$ 250 num custo total de US$ 1,7 bilhão para a região.

Merendas escolares

Outras medidas incluem o reforço do programa de merendas escolares, apoio a iniciativas de assistência alimentar pela sociedade civil e a manutenção de políticas que facilitem o fluxo do comércio global de alimentos.

Ainda nesta terça-feira, o Programa Mundial de Alimentos pediu maior solidariedade internacional para derrotar a pandemia na América Latina e no Caribe protegendo os países e comunidades mais vulneráveis. A agência disse que a “pandemia da fome” na região, onde a Covid-19 continua se propagando.

O diretor-regional do PMA, Miguel Barreto, falou da situação na Colômbia, em Honduras e no Haiti.  O PMA não opera em países como Argentina, Brasil, Chile, México e Venezuela.

Barreto diz que a situação é grave. Como até 70% dos trabalhadores atuando na economia informal, fica difícil acessar programas de proteção social. Além disso, a região é suscetível a choques climáticos e econômicos assim como insegurança e deslocamentos forçados.

O PMA já despachou quase 70 toneladas de suprimentos para 27 países a partir de seu centro regional no Panamá.  Mais carregamentos devem chegar à região vindos do centro internacional da agência, na China, nos próximos dias.

 

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