Coronavírus: Américas enfrentam desafio duplo com inverno e estação de furacões
BR

9 junho 2020

Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, afirma que governos devem implementar planos de enfrentamento e resposta; em entrevista a jornalistas, médico disse que Brasil tem “larga tradição de solidariedade e pan-americanismo” em sua cooperação com a agência.

A chegada do inverno e da estação de furacões na América Latina e Caribe são um duplo desafio para o combate à Covid-19 na região. O inverno agrava casos de doenças respiratórias e os furacões podem causar destruição e emergências humanitárias complicando a crise gerada pela pandemia.

O alerta foi feito na entrevista semanal a jornalistas pela Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, em sua sede em Washington.

Temporada de furacões começou em 1 de junho na região.
Temporada de furacões começou em 1 de junho na região. Fotos: NASA

Recentes surtos

A diretora-geral da Opas, Carissa Etienne, falou sobre o aumento de casos da Covid-19 na América Latina e de surtos recentes como o ocorrido em Suriname, na América do Sul.

Ela afirmou que a chegada do inverno deve agravar o risco de contaminações por causa do frio e que, nessa estação, mais pessoas se concentram dentro de casa aumentando o risco de contágio.

Um outro desafio é a temporada de furacões que começou em 1 de junho na região. Meteorologistas afirmam que esta pode ser uma das piores dos últimos anos. 

Para Carissa Etienne, os planos de preparação dos governos contra a dupla ameaça são fundamentais para “superar o pior”.

Mais idosos

A chefe da Opas realçou a importância das campanhas de vacinação contra a gripe especialmente para as populações mais idosas. E contou que pelo menos 14 países das Américas já começaram a vacinar 90 milhões de pessoas em locais alternativos como janelas de supermercados, escolas e outros estabelecimentos para evitar riscos em postos de saúde e hospitais.

Carissa Etienne afirmou que a agência tem ajudado com o transporte de 24 milhões de doses de vacina contra a gripe para as Américas. Além da diretora-geral, participaram do briefing mais quatro médicos e vice-diretores-gerais da agência. 

Quarentena

Eles responderam a perguntas dos jornalistas sobre o risco de aumentos de casos nas próximas semanas, quando vários países começam a reabrir a economia.

O médico Jarbas Barbosa falou sobre as altas taxas de contaminação e mortalidade em países como Peru e Brasil. Ele afirmou que é importante que a população receba o apoio do governo e que respeite as medidas de quarentena. Barbosa afirmou que a Covid-19 está castigando muitas famílias que vivem abaixo da linha de pobreza e muitos latino-americanos atuam na economia informal, um setor fortemente afetado pela pandemia.

De acordo com o diretor-assistente da Opas, o médico brasileiro Jarbas Barbosa, dos 29 países analisados, apenas dois financiam de forma adequada o atendimento.
Vídeo Opas
De acordo com o diretor-assistente da Opas, o médico brasileiro Jarbas Barbosa, dos 29 países analisados, apenas dois financiam de forma adequada o atendimento.

Brasil e OMS

Ao ser perguntando sobre relatos na mídia do Brasil de que o país “poderia deixar a OMS com base nas tendências ideológicas da agência”, o médico Marcos Espinal, diretor de doenças transmissíveis da Opas, afirmou que o Brasil e a Opas têm uma cooperação longa e tradicional baseada em “solidariedade e pan-americanismo” e que o país faz fronteira com 10 outras nações.

Ele elogiou ainda o destaque do Brasil em áreas como o combate ao HIV/Aids, tuberculose, câncer e outras doenças. Espinal lembrou que o Brasil produz vacinas e é ativo em pesquisas de saúde.  Ele concluiu endossando as palavras da diretora-geral Carissa Etienne para dizer que “aspectos políticos não devem influenciar na boa relação da agência com o país.”

Vacina  

Ao falar sobre a chegada de uma provável vacina ao Brasil, Espinal disse que a Opas garantirá que as vacinas sejam levadas ao país e a outras nações da região para a segurança de toda a população.

Já o médico Ciro Ugarte, diretor de emergências da Opas, respondeu à pergunta sobre equipamentos de proteção e contou que a agência está despachando para várias nações da região como Antígua e Barbuda, Cuba e Panamá.

O vice-diretor Sylvain Aldighieri explicou a informação da OMS sobre o risco de contaminação de pacientes assintomáticos e a importância da utilização de máscaras de proteção após o anúncio da agência na segunda-feira sobre o tema.

A OMS esclareceu um dia depois que a informação não era 100% garantida, dizendo que ainda se conhece muito pouco sobre a doença.

Vacinação contra o sarampo é essencial para evitar casos
Foto: OMS/Opas
Vacinação contra o sarampo é essencial para evitar casos

Sarampo

Ao falar de um novo surto de sarampo no Brasil, o médico Jarbas Barbosa disse que é preciso manter a vigilância de outras doenças mesmo com os desafios apresentados pela Covid-19. 

Barbosa afirmou que os surtos de sarampo no México e na Argentina já foram contidos.  Ele ressaltou que é preciso assegurar a vacinação contra a doença para evitar que ela avance.

A chefe da Opas finalizou ressaltando que a agência enviou, logo após o início da pandemia, 27 toneladas de equipamento de proteção para enfrentar a doença com 1,4 milhão de itens a mais de 20 países.  

A Opas informou que o centro regional do Panamá deve ajudar com a distribuição de mais material de proteção e equipamentos para os profissionais de saúde das Américas, já nas próximas semanas.

 

 

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