Apelos de US$ 103 milhões para vítimas de Covid-19 e insegurança em Moçambique
BR

4 junho 2020

Entre beneficiados estão pessoas obrigadas a se deslocar múltiplas vezes também por causa dos ciclones Idai e Kenneth que afetaram a região no ano passado; violência de extremistas no norte do país está forçando moradores a fugirem de suas casas.

As Nações Unidas e os parceiros humanitários buscam mais de US$ 103 milhões para apoiar iniciativas do Governo de Moçambique em resposta a diferentes necessidades essencias.

Consequências da Covid-19, secas recorrentes, inundações e aumento da violência na província de Cabo Delgado, no norte da nação africana, estão entre as áreas que merecem maior atenção.

Planos

Falando à ONU News, de Maputo, a coordenadora residente e humanitária em Moçambique, Myrta Kaulard, pediu mais auxílio internacional para a proteção de pessoas que precisarão de resposta em duas frentes.

“Um plano humanitário de resposta à Covid-19 e um plano de resposta rápida à insegurança na província de Cabo Delgado. São dois pilares da resposta humanitária internacional em Moçambique para extrema  ajudar a centenas de milhares de pessoas que estão afetadas por comunidades extremas, desastres naturais, ciclones, insegurança e aumento forte da pobreza extrema.   Essas pessoas têm meios de vida débeis.”

Em tempos em que a pandemia coloca atenção nos sistemas de saúde, a representante disse várias  áreas se ressentem do problema e  carecem de grande assistência.

 

“Vai ter um impacto socioeconômico, um impacto de saúde extremo nessas pessoas. É por isso que temos que trabalhar de maneira muito rápida. E essas são pessoas extremamente vulneráveis. São pessoas em movimento, deslocados internos, refugiados e migrantes. É por isso que como coordenadora humanitária eu peço aos parceiros de Moçambique que respondam e com grade generosidade e muito rápido a estes chamados.”

Sofrimento

De acordo com as Nações Unidas, a implementação dessas iniciativas será feita pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, Ingc. Para a diretora-geral, Luísa Meque o apelo complementará os esforços do governo para aliviar o sofrimento daqueles que enfrentam mais dificuldades devido à Covid-19, especialmente os que se recuperam dos ciclones Idai e Kenneth.

Efeitos do ciclone Kenneth em Moçambique.
Efeitos do ciclone Kenneth em Moçambique., by Ocha/Saviano Abreu

O apelo sobre a pandemia concentra-se nas necessidades mais imediatas e críticas de milhões de pessoas “que já enfrentam condições humanitárias graves, que seriam incapazes de suportar o impacto sanitário e socioeconômico da pandemia”.

Nos próximos nove meses, a prioridade iria para as necessidades dos mais vulneráveis, incluindo pessoas na pobreza, com deficiência, as que vivem com HIV, idosos, população deslocada e comunidades de risco.

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades destaca que US$ 68 milhões, US$ 16 milhões são para saúde e US$ 52 milhões para setores como segurança alimentar e meios de subsistência incluindo água, saneamento e higiene.

Aumento

O Plano de Resposta Rápida para Cabo Delgado busca US$ 35,5 milhões e priorizará as necessidades urgentes dos afetados pelo aumento da onda de ataques armados que começaram em 2017.

Desde janeiro de 2020, dezenas de milhares de pessoas perderam acesso a alimentos, água, saneamento ou serviços básicos com o aumento significativo desse tipo de ações. 

De acordo com a ONU, muitas pessoas afetadas “são as mesmas que perderam tudo durante o ciclone Kenneth, e agora são deslocadas pela segunda ou terceira vez em um ano”.

Os recursos das comunidades anfitriãs estão se esgotando e as pessoas isoladas  em áreas com insegurança não têm meios de sustento.

Em Moçambique, na Beira, algumas estradas inundaram após chuvas no bairro de Praia Nova, em 26 de fevereiro de 2020.
Karel Prinsloo / Arete / Uncdf Mozambique
Em Moçambique, na Beira, algumas estradas inundaram após chuvas no bairro de Praia Nova, em 26 de fevereiro de 2020.

 

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