Guterres diz que mundo trava “corrida contra o tempo” para proteger população do Iêmen
BR

2 junho 2020

Governos, doadores e organizações reúnem-se em conferência sobre o país nesta terça-feira; conflito é agravado por pandemia, que afeta também profissionais de saúde; metade da população não tem acesso à água limpa.

 Mais de 130 governos e doadores, agências e funcionários de auxílio participam na primeira reunião virtual para o Iêmen. O evento, nesta terça-feira, pretende chamar a atenção para a situação da maior crise humanitária do mundo.

A meta é angariar US$ 2,4 bilhões para manter a resposta até o final do ano. O valor inclui US$ 180 milhões para lidar com a pandemia de Covid-19, tida como o mais desafio recente “se espalhando rapidamente” no país árabe. 

 Fundos

A execução de vários programas humanitários está paralisada e depende de fundos para ajudar e proteger 24 milhões de necessitados numa situação que “piora a cada hora”. 

António Guterres, by Foto: ONU/Mark Garten

Falando na abertura do evento, de Nova Iorque, o secretário-geral António Guterres disse que o mundo está “numa corrida contra o tempo” para apoiar o país. 

O chefe da ONU citou relatos da cidade de Áden, uma das maiores do Iêmen e onde “as taxas de mortalidade por Covid-19 estão entre as mais altas do mundo.” Esse é “apenas um sinal do que está por vir”, se não houver ação imediata. O número de afetados pode ser “muito mais alto” do que os atuais 358 casos confirmados e 85 mortes notificados até esta terça-feira pela Organização Mundial da Saúde. 

Equipamento 

Somente metade das unidades de saúde funciona. Faltam testes, balões de oxigênio, ambulâncias e equipamentos básicos de proteção.

Guterres destacou que muitos profissionais de saúde contraíram o vírus, e mesmo os hospitais em operação e com equipamento podem não ter ligação confiável de eletricidade.

O secretário-geral alertou para o grande desafio em relação às medidas de saúde pública no país, onde a confiança nas autoridades é fraca e metade da população não tem acesso à água limpa para lavar as mãos. 

Para o chefe da ONU, “o combate à Covid-19, além da atual emergência humanitária, exige ação urgente”. A pandemia agrava ainda mais o cenário difícil e perigoso para que trabalhadores desse setor façam chegar ajuda essencial aos iemenitas. 

Meninas em assentamento para deslocados internos de Abs, no Iêmen, que continua sendo a maior crise humanitária do mundo em 2020, by Ocha/Giles Clarke

Guterres defende que seja preservada a principal operação de ajuda humanitária, enquanto os programas de saúde pública estão sendo implementados para combater o vírus e fortalecer os serviços saúde. 

Serviços 

Para o secretário-geral, é preciso fazer muito mais no país onde a ONU apoia a resposta rápida com suprimentos essenciais. A organização atua com profissionais e comunidades da linha de frente para fazer chegar informações sobre saúde a milhões de pessoas. 

O chefe da ONU destacou que acabar com a guerra é a única maneira de enfrentar as crises de saúde, humanitárias e de desenvolvimento humano no Iêmen. 

A morte de civis tem aumentado a cada mês, no ano em que mais de 500 pessoas foram mortas ou feridas no país em conflito. Cerca de 80 mil pessoas tiveram que deixar as suas casas fazendo subir o  total de deslocados para quase 4 milhões. 

De acordo com as Nações Unidas, pelo menos 110 mil iemenitas contraíram cólera  este ano. As recentes inundações aumentaram o risco de doenças como malária e dengue.
 

PMA /Jonathan Dumont
O Iêmen é a pior crise humanitária do mundo, com 24 milhões de pessoas afetadas.

 

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