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Nações Unidas prestam tributo a 83 boinas-azuis mortos em serviço no ano passado BR

Uma integrante das forças de paz, vestindo uniforme azul e boina, marcha em um desfile, carregando uma grande bandeira da ONU . Outros membros uniformizados, incluindo policiais e militares, formam uma fila atrás dela no quartel-general da UNMISS em Juba, Sudão do Sul.
ONU/JC McIlwaine Boina-azul da ONU participa em desfile em Juba, no Sudão do Sul.

Nações Unidas prestam tributo a 83 boinas-azuis mortos em serviço no ano passado

Paz e segurança

Organização marca o Dia Internacional dos Boinas-Azuis nesta sexta-feira; secretário-geral deposita coroa de flores e concede medalha póstuma; brasileira Carla Monteiro de Castro Araújo é Prêmio Defensora Militar da Igualdade de Gênero da ONU com indiana Suman Gawani.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciará a concessão de medalha póstuma a 83 militares, policiais e forças de paz civis que perderam a vida servindo à organização em 2019. 

Nesta sexta-feira, a organização marca o Dia Internacional dos Boinas-Azuis depositando uma coroa de flores no Memorial das Forças de Paz, em Nova Iorque. A homenagem é feita a todos os boinas-azuis que perderam a vida desde 1948, quando a ONU realizou sua primeira missão de paz.

Brasileira

Uma foto dividida mostrando a Major Suman Gawani do Exército Indiano e a Comandante Carla Monteiro de Castro Araujo da Marinha Brasileira, ambas premiadas por sua atuação como defensoras da igualdade de gênero.
Ganhadoras do Premio Defensora Militar da Igualdade de Gênero de 2020, a major Suman Gawani e a comandante Carla Monteiro de Castro Araújo., by Unmiss/Minusca/Hervé Serefio

Para marcar o dia internacional, celebrado em 29 de maio, a ONU fará numa cerimônia virtual do Prêmio Defensora Militar da Igualdade de Gênero da ONU. Nesta edição 2020, a distinção será dada à comandante brasileira Carla Monteiro de Castro Araújo, que atua na República Centro-Africana, e à major Suman Gawani, da Índia, que serviu no Sudão do Sul.

Pela primeira vez, o prêmio reconhece, simultâneamente, a duas militares. Elas foram escolhidas pela dedicação e esforço na promoção dos princípios da Resolução de Segurança 1325 sobre mulheres, paz e segurança. O documento foi adotado há 20 anos.

Em vídeo, o secretário-geral António Guterres prestou homenagem a mais de 1 milhão de homens e mulheres que serviram como forças de paz das Nações Unidas, além dos mais de 3,9 mil mortos cumprindo esse dever.

O chefe da ONU agradece aos 95 mil civis, policiais e militares atuando no mundo, diante de “um dos maiores desafios de todos os tempos: cumprir seus mandatos de paz e segurança enquanto ajudam os países a enfrentar a pandemia da Covid-19. ”

Comunidades

Este ano, a data é observada sob o tema Mulheres em Manutenção da Paz, para realçar o papel feminino nessas operações. Guterres disse “as mulheres geralmente têm maior acesso a comunidades”, o que permite melhorar a proteção dos civis e promover os direitos humanos  melhorando o desempenho geral.

O secretário-geral afirmou que mulheres continuam representando apenas 6% do pessoal militar, policial, de justiça que operam em missões.

Para Guterres, é preciso fazer mais para se alcançar a representação equilibrada das mulheres em todas as áreas de paz e segurança.

O subsecretário-geral das Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, também defende a participação feminina “significativa, igual e plena” em operações para manter a paz, nos processos políticos e na pacificação.

Para o chefe das Operações de Paz,  à medida que os militares continuam realizando seu trabalho em meio às restrições apresentadas pela pandemia “é essencial proteger os civis e construir uma paz duradoura”. 

Covid-19

Lacroix disse ainda que as mulheres servindo em missões desempenham um papel essencial ajudando comunidades a combater a Covid-19 e “devem ser uma parte central de todas as respostas internacionais, nacionais e locais”.

Em 2002, a Assembleia Geral decidiu que o Dia Internacional das Forças de Paz deveria homenagear os boinas-azuis. Em 29 de maio de 1948 foi aberta a primeira missão de manutenção da paz. Foi a Organização da ONU Para a Supervisão da Trégua, Untso, que operou no Oriente Médio.

Soldados de paz da ONU do Senegal conversam com um morador local durante uma patrulha em uma aldeia no Mali.
Foto ONU/Gema Cortes Boinas-azuis do Senegal em exercícios da Minusma