Opas diz que Brasil deve intensificar isolamento social para conter pandemia
BR

21 maio 2020

Em entrevista à ONU News, vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde, e especialista em epidemiologia, Jarbas Barbosa, acredita que intensidade da contaminação com a Covid-1 deve durar até início de junho, no Brasil, com base em modelos e cálculos realizados pela agência da ONU.

O aumento no número de casos de contaminação com o novo coronavírus, no Brasil, pode ser contido com mais isolamento social. 

A recomendação é do vice-diretor-geral da Organização Pan-Americana da Saúde, o médico brasileiro Jarbas Barbosa.

Ao todo, a Opas já enviou mais de 500 mil kits de teste para as Américas. Foto: Opas Barbados/Brenda Lashley

Análise criteriosa

Nessa entrevista à ONU News, por videoconferência, Barbosa alertou sobre o risco da quantidade de novos casos superarem a capacidade do sistema de saúde de responder à demanda. 

Segundo ele, a forte onda de contaminação deve seguir até a primeira semana de junho, com base nos modelos e cálculos da Opas.

“Nessa situação, a única medida capaz de frear e reduzir a velocidade de transmissão é o distanciamento social. Seguramente, que em cada estado do Brasil, essa realidade pode ser um pouco diferente.  Por isso é importante uma análise criteriosa do número de casos novos, que estão acontecendo todos os dias, monitorar também a ocupação dos leitos da UTI, uso de respiradores mecânicos, porque se se deixa a transmissão ocorrer de maneira natural, sem nenhum tipo de redução da velocidade, o número de casos que é produzido vai superar a capacidade dos leitos de UIT, de respiradores e pessoas vão morrer.”

Estados

O vice-diretor da Opas contou que além do Brasil, outros países latino-americanos estão enfrentando um aumento “muito rápido” no número de casos como Equador, Chile, Peru e México.

Jarbas Barbosa, que tem mais de 40 anos de experiência em medicina e políticas de saúde pública, afirma que a situação do Brasil é diferente nos vários estados, mas que a prioridade agora é conter o avanço da contaminação com as medidas acertadas.

“Particularmente, nós da Organização Pan-Americana da Saúde, estamos prestando apoio técnico ao Ministério da Saúde do Brasil exatamente para que essas medidas sejam mais efetivas, que a gente consiga reduzir a velocidade de transmissão e sair o mais rápido possível desse momento intenso de transmissão que alguns estados do Brasil passam.”

ONU Guyana
Opas afirma que as pessoas em cada país têm de estar conectadas eletronicamente para facilitar o fluxo de informações de seus prontuários

Estados Unidos e Índia

O especialista da Organização Pan-Americana da Saúde afirma que qualquer cálculo e projeção do avanço da doença depende do sucesso do distanciamento social e que deve haver um monitoramento para avaliar como a população está aderindo às medidas.

Nesta quinta-feira, o número de casos de contaminação com o novo coronavírus, no mundo, ultrapassou a marca de 5 milhões. 

Estados Unidos, Brasil e Índia estão entre as nações com o maior número de notificações da Covid-19.
 

Leia a íntegra de um trecho da entrevista:

 

Que medidas específicas que o Brasil deve tomar para reduzir o número de casos?
 

O Brasil, assim como vários outros países na América Latina, nesse momento, como Peru, Equador, Chile, México estão experimentando um crescimento muito rápido no número de casos. Nessa situação, a única medida capaz de frear e reduzir a velocidade de transmissão é o distanciamento social. Seguramente, que em cada estado do Brasil, essa realidade pode ser um pouco diferente.  Por isso é importante uma análise criteriosa do número de casos novos, que estão acontecendo todos os dias, monitorar também a ocupação dos leitos da UTI, uso de respiradores mecânicos, porque se se deixa a transmissão ocorrer de maneira natural, sem nenhum tipo de redução da velocidade, o número de casos que é produzido vai superar a capacidade dos leitos de UIT, de respiradores e pessoas vão morrer. Isso é muito importante, este monitoramento. Tomar as medidas adequadas. Se o distanciamento social não está funcionando, verificar como se pode aumentar a adesão da população para que se consiga diminuir esta velocidade o mais rápido possível.

 

Tendo em conta, a evolução da pandemia no Brasil, quando acredita que a curva deve começar a baixar?

Nós trabalhamos com modelos matemáticos, mas esses modelos têm a finalidade apenas de servir para o planejamento do número de leitos necessários, da quantidade dos profissionais de saúde e o número de respiradores mecânicos. Com base nesses modelos, se estima que essa transmissão mais forte vai continuar até a primeira semana de junho. Mas isso depende, claro, do sucesso das medidas de distanciamento social. Particularmente, nós da Organização Pan-Americana da Saúde, estamos prestando apoio técnico ao Ministério da Saúde do Brasil exatamente para que essas medidas sejam mais efetivas, que a gente consiga reduzir a velocidade de transmissão e sair o mais rápido possível desse momento intenso de transmissão que alguns estados do Brasil passam.
 

 

 

 

 

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