Venezuela é tema de reunião no Conselho de Segurança
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20 maio 2020

Subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz afirma que crise prolongada no país só poderá ser resolvida pelos próprios venezuelanos; Rosemary DiCarlo ressaltou riscos de escalada humanitária pela pandemia de Covid-19.

Tentativas para se alcançar uma solução negociada e política na Venezuela após o agravamento da crise, há quase cinco anos, fracassaram apesar dos esforços de mediação internacionais.

A solução para a crise prolongada só poderá partir dos próprios venezuelanos. A declaração é da chefe de Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo.

Subsecretária-geral para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Oposição

Nesta quarta-feira, ela falou ao Conselho de Segurança durante uma reunião virtual sobre o impasse nas negociações para a resolução do conflito entre integrantes da oposição e o governo de Nicolás Maduro.

Ela citou um trecho da carta enviada ao Conselho de Segurança pelo governo da Venezuela, na qual foi citado que nos dias 3 e 4 de maio, “grupos armados de mercenários e terroristas treinados, financiados e protegidos pelos governos da Colômbia e dos Estados Unidos teriam entrado no país”.

A carta alegava ainda que o objetivo era assassinar autoridades venezuelanas e acusava o envolvimento do “deputado Juan Guaidó”, que é reconhecido por vários países-membros da ONU, como o “presidente interino” da Venezuela. A carta revela que 47 pessoas foram presas em 13 de maio, acusadas de participação na ação.

© Unicef/Alajandra Pocaterra
Durante a pandemia do Covid-19, kits de alimentos estão sendo entregues para algumas comunidades na Venezuela.

Emergência

Rosemary DiCarlo contou que os governos da Colômbia e dos Estados Unidos negaram qualquer envolvimento assim como o líder da oposição venezuelana. Eles pediram um governo de emergência nacional após o incidente.

A chefe de Assuntos Políticos da ONU reiterou o apelo do secretário-geral, António Guterres, para que todas as partes evitem uma escalada da situação na Venezuela e que busquem o diálogo político e o respeito aos direitos humanos para resolver a situação.

A ONU está preocupada com a falta de negociações entre as partes especialmente com os riscos da crise de saúde global provocada pela pandemia de Covid-19.

© UNICEF/Eduardo Párraga
Uma funcionária do Unicef conversa com mulheres em um centro de saúde localizado nos arredores de Caracas, Venezuela.

Espaço

DiCarlo lembrou que antes da suspensão dos trabalhos da Assembleia Nacional por causa do novo coronavírus, a Comissão de Aplicações do órgão era o único espaço formal de diálogo entre todos os legisladores do governo e da oposição. O país espera novas eleições para o Parlamento antes do fim deste ano.

Mas a oposição também que uma votação presidencial. A resposta da ONU à pandemia pede US$ 750 milhões para atender os mais carentes no país.

Foto: Unicef/Velasquez
Um garoto pede esmola nas ruas de Caracas, capital da Venezuela.

Jornalistas e líderes políticos

DiCarlo citou que o Escritório da alta comissária de Direitos Humanos da ONU está recebendo relatos de prisões de líderes políticos e jornalistas que escrevem sobre a pandemia, além de ameaças ao pessoal de saúde que reclama da falta de equipamento de proteção contra a pandemia ou relata o número de casos.

A alta comissária expressou preocupação com o uso excessivo de força contra manifestantes que protestam pelo direito à comida, água e alimentos em alguns países, como a Venezuela.

DiCarlo lembrou que o coordenador de Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, apelou a todas as partes que respeitem o princípio da independência para a ajuda humanitária e que o auxílio não seja manipulado politicamente.

Doadores

A subsecretária-geral lembrou que a ONU continua apoiando cerca de 5,1 milhões de refugiados e migrantes na Venezuela. E que mais de 80% deles fugiram para outros países da América Latina e do Caribe.

O representante especial para os Refugiados Venezuelanos, Eduardo Stein, disse que a pandemia expõe essas pessoas a ainda mais dificuldades e muitos estão sofrendo para sobreviver longe de suas casas.

Na próxima terça-feira, a Espanha e a União Europeia organizam uma conferência com doadores, que será apoiada pelo Acnur e pela Organização Internacional para Migrações. Até agora, apenas 4% do apelo para socorrer refugiados e migrantes da Venezuela foram entregues.

 

 

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