Desenvolvimento humano global pode cair pela primeira vez em 30 anos por causa da pandemia BR

Por causa do bom resultado, 250 mil alunos puderam retornar às aulas em 29 de junho.
Pnud Uruguai/Pablo La Ros
Por causa do bom resultado, 250 mil alunos puderam retornar às aulas em 29 de junho.

Desenvolvimento humano global pode cair pela primeira vez em 30 anos por causa da pandemia

Saúde

Diretor do Escritório do Relatório de Desenvolvimento Humano falou à ONU News sobre os efeitos da Covid-19; padrões mundiais de educação, saúde e expectativa de vida devem cair na maioria dos países, ricos e pobres.

O desenvolvimento humano global pode baixar este ano, pela primeira vez desde que o conceito foi introduzido em 1990, alertou esta quarta-feira o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud.

O Índice de Desenvolvimento Humano é uma combinação dos padrões mundiais de educação, saúde e expectativa de vida. Quedas nessas áreas estão sendo sentidas na maioria dos países, ricos e pobres, em todas as regiões.

Efeitos

Falando à ONU News, em Nova Iorque, o diretor do Escritório do Relatório de Desenvolvimento Humano, Pedro Conceição, disse que “esta é uma crise sem precedentes sob o ponto de vista do desenvolvimento humano.”

“É uma crise que está a afetar a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo, não só devido aos efeitos diretos do vírus, mas também devido aos efeitos indiretos da pressão sobre os sistemas de saúde. Afeta também o rendimento das famílias, com aquilo que o Fundo Monetário Internacional chama a maior crise econômica desde a Grande Depressão de 1930. É também uma crise que afeta a educação, uma vez que nove em cada 10 alunos se confrontam com escolas fechadas.”

Segundo a agência, a renda per capita global deve cair 4% em 2020. O Pnud também calculou a taxa efetiva de crianças que estão estudando, ajustada para refletir aqueles que não têm acesso à internet. Cerca de 60% das crianças não estão recebendo educação, um nível que não é visto desde os anos 80.

Em países com baixo desenvolvimento humano, esse número sobe para 86%. Nos países com muito alto desenvolvimento humano, esse valor é de 20%, mostrando o impacto da desigualdade no setor da educação.

Desigualdades

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A análise afirma que a queda no desenvolvimento humano deve ser muito maior nos países em desenvolvimento, que são menos capazes de lidar com as consequências sociais e econômicas da pandemia.

Para Pedro Conceição, a crise mostra que, sem maior promoção de igualdade, muitos ficarão para trás. Medidas políticas são, sobretudo, necessárias em novas necessidades do século 21, como o acesso à internet, que facilita serviços de educação, medicina e trabalho.

“Esta é também uma crise que pode inspirar atitudes e decisões que reduzem a desigualdade, uma vez que esta crise foi imposta num contexto em que há um grande número de desigualdades que se estão a acumular. Por exemplo, as desigualdades no acesso à internet determinam a capacidade de crianças em todo o mundo continuarem a sua educação. Por isso, políticas orientadas para a redução dessas desigualdades seriam possíveis num contexto em que os países em todo o mundo estão a mobilizar US$ 8 mil milhões de dólares para fazer face a crise.”

Aumentar o acesso à internet nos países de baixo e médio rendimento custaria aproximadamente 1% do valor investido no combate à pandemia.

Recomendações

O Pnud recomenda cinco etapas prioritárias para lidar com a crise.

Primeiro, proteger os sistemas e serviços de saúde, aumentar a proteção social, proteger empregos e pequenas e médias empresas e trabalhadores do setor informal. Depois, implementar políticas macroeconômicas que funcionem para todos. Por fim, deve ser promovida a paz, a boa governança e a confiança para fortalecer a coesão social.

Em nota, o administrador do Pnud, Achim Steiner, disse que “o mundo passou por muitas crises nos últimos 30 anos, incluindo a crise financeira global de 2007-09, que afetaram fortemente o desenvolvimento humano, mas, em geral, os ganhos de desenvolvimento foram se acumulando.”

Segundo Steiner, no entanto, a impacto triplo em saúde, educação e renda da crise da Covid-19 “pode mudar essa tendência."