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Rápido alastramento da covid-19 nas Américas preocupa Opas BR

Um especialista de laboratório da OPAS/OMS na Guiana treina funcionários na realização de testes de COVID-19 em um laboratório de biossegurança.
PAHO/WHO Guyana Cientistas trabalham em testes de covid-19 na Guiana.

Rápido alastramento da covid-19 nas Américas preocupa Opas

Saúde

Nas últimas três semanas, infecções se aproximaram ao número total de um trimestre; economia regional terá retração de 5,3%; contração histórica será pior que da Grande Depressão.

A Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, disse estar profundamente preocupada com a rapidez com que a pandemia da covid-19 está se expandindo na região.

Depois de ter levado três meses para se chegar a 1 milhão de casos, o número quase dobrou em menos de três semanas. Na segunda-feira, a região registrou 1,74 milhão de casos do novo coronavírus e mais de 104 mil mortes devido à doença.

Casos

Um homem usando máscara facial branca atravessa uma faixa de pedestres em uma rua da cidade.
Estrada quase deserta em Buenos Aires devido ao coronavírus., by ONU/Argentina

Na última semana, as Américas tiveram mais 266.269 notificações, incluindo 19.543 mortes. Os números representam um aumento relativo de 18% em casos confirmados e 23% de óbitos, quando comparados ao período anterior.

Respondendo a uma questão sobre a situação no Brasil, o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais da Saúde da Opas, Marcos Espinal, disse que o país é um dos que mais verificam a transmissão comunitária. O especialista reiterou que os Estados devem atuar de forma conjunta e individual.

Espinal também explicou que a Opas trabalha com o Brasil para assegurar que o país receba apoio necessário. Ele realçou que como estado federal, os governadores podem tomar medidas para ações como mitigação, mas destacou que o aumento de casos preocupa. 

A recomendação é que continuem sendo implementadas as medidas orientadas pela Opas e pela Organização Mundial da Saúde, OMS. 

Capacidade 

Uma fila de homens com mochilas aguardando em um local fechado como parte de um programa de retorno voluntário assistido.
Migrantes da América Central no México, by OIM/Ana Marcela Cerdas Jiménez

Já a diretora da Opas, Carissa Etienne, afirmou que várias nações mostraram que o número de casos pode ser contido após uma forte vigilância e detecção, saúde pública coordenada, ações preventivas, rastreamento de contatos e aumento de capacidade do sistema de saúde.

A representante destacou ainda que enquanto se continua no que considerou “estágio perigoso da pandemia”, são necessários recursos para ajudar as pessoas a lidar com os impactos econômicos do confinamento domiciliar ou sem ir trabalhar. Etienne realçou que isso é vital para manter o vírus sob controle e reduzir a duração dessa crise.


Em termos econômicos, as previsões regionais apontam que o valor das exportações caia 15%, com impacto em muitos países da América Latina e do Caribe que dependem da exportação de commodities. 

Interrupções 

O setor turismo foi bastante afetado, impactando ainda mais as economias dos países do Caribe. Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe destacam que as interrupções causadas pela covid-19 causaram um abalo total em nível regional. 

A estimativa é que a economia da região contraia 5,3% este ano, na maior queda registrada em mais de 100 anos e pior que a grande depressão.

A recomendação é que os países apoiem suas economias enquanto construindo fortes redes de proteção social e adotando medidas de saúde pública com base em dados concretos, essenciais para salvar vidas.