ONU propõe sete estratégias para África controlar crise causada por pandemia  
BR

12 maio 2020

Comissão Econômica para o continente diz que países devem aproveitar tempo extra em relação a Europa, Ásia e Américas; em média, casos de covid-19 estão aumentando 30% por semana; pelo menos 42 países africanos já aprovaram bloqueios parciais ou totais.

A Comissão Econômica da ONU para a África, ECA, divulgou um relatório com sete estratégias para os países africanos ultrapassarem a crise causada pela pandemia de covid-19. 

Até o momento, pelo menos 42 países do continente aprovaram bloqueios parciais ou totais. Segundo a ECA, essas medidas são necessárias, mas têm “consequências econômicas arrasadoras.”

Consequências 

As empresas contatadas pela ECA estão operando em apenas 43%. Cerca de 70% dos moradores de favelas e assentamentos informais já estão ficando sem refeições ou comendo menos devido à pandemia.

Segundo a agência, a situação pode piorar. A propagação do vírus continua se acelerando em muitos países africanos. Em média, os casos estão aumentando 30% por semana.

Um bloqueio total de um mês custaria ao continente 2,5% do seu PIB anual, cerca de US$ 65,7 bilhões. Além disso, o continente sofreria com preços mais baixos das commodities e com uma queda dos fluxos de investimento.

O relatório destaca estratégias para permitir que a atividade econômica continue, embora reduzida. Todas as propostas já foram testadas em outras partes do mundo e têm em conta os possíveis efeitos na mortalidade do vírus. 

Propostas

As sete propostas são melhoria de testes, distanciamento até que existam tratamentos ou vacinas, rastreamento de contatos, licenças de imunidade, reabertura por setores e gradual, adaptação permanente e mitigação.

Vendedores em mercado no Quênia praticam distanciamento social, Banco Mundial/Sambrian Mbaabu

Com um método de adaptação permanente, os países podem facilitar as medidas quando as infecções diminuem e tornar a impor antes de os casos ultrapassarem a capacidade de tratamento intensivo dos hospitais. 

Já em relação a mitigação, a ECA explica que permite que a infecção se espalhe pela população lentamente. O método tem sido testado na Suécia, onde entre 25% a 40% da população de Estocolmo já contraiu o vírus, mas depende da boa adesão às medidas de distanciamento e de um forte sistema de saúde. Segundo a agência, isso pode ser “um risco considerável em populações africanas com baixo acesso à assistência médica.”

Quanto aos bloqueios, permitem que países com vulnerabilidades graves preparem suas capacidades de teste e rastreamento de contatos. Também permitem desenvolver medidas preventivas, informando comunidades e minimizando os riscos para grupos vulneráveis.

O relatório pede ainda que os países africanos tirem vantagem do tempo que tiverem em relação aos países da Ásia, Europa e Américas. Segundo a pesquisa, “pode ser uma oportunidade para aprender com as experiências de outras regiões e suas experiências na reabertura.” 

 

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