Na África, limitação de serviços de HIV em tempos da covid-19 pode matar 500 mil
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11 maio 2020

Em um ano, mortes relacionadas à Aids podem chegar a 673 mil; fatalidades podem alcançar níveis comparáveis a 2008;  novas infeções infantis têm potencial de aumentar mais de um terço em Moçambique.

A África Subsaariana pode registar mais cerca de meio milhão de mortes por doenças relacionadas à Aids até 2021, se não houver esforços para mitigar e ultrapassar a interrupção dos serviços de saúde durante a pandemia da covid-19.

Essa situação poderia acontecer se a oferta de terapia antirretroviral fosse interrompida durante seis meses, segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde, OMS, e do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids, Unaids.

Moçambique

A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima., by Foto: ONU/Amanda Voisard

A redução da cobertura de serviços de HIV para mães e filhos provocaria um aumento de novas infeções infantis de até 37% em Moçambique. As taxas seriam mais altas chegando a 78% no Maláui e no Zimbábue ou mesmo 104% no Uganda.  

A pesquisa divulgada esta segunda-feira apela à ação de comunidades e parceiros para evitar o impacto de uma interrupção do tratamento antirretroviral. Em meio ano, as mortes relacionadas à Aids podem ser comparáveis ao total de 2008, quando mais de 950 mil pessoas perderam a vida na região.

Outra questão é que as pessoas continuariam morrendo por mais cinco anos se essa interrupção afetasse grande número de pacientes. Mais 40% de novas mortes poderiam ocorrer nesse período.

Doenças 

As interrupções também têm potencial de aumentar a incidência do HIV no próximo ano. O diretor-geral da OMS,  Tedros Ghebreyesus, considerou terrível a previsão de mortes por doenças relacionadas à Aids, que em sua análise seriam “como recuar na história”.

Unaids alerta que mais 40% de novas mortes poderiam ocorrer em cinco anos., by ONU News

A proposta do chefe da OMS é que sejam garantidas grandes quantidades de pacotes de tratamento e outros artigos essenciais, e que os suprimentos globais de testes e terapias continuem fluindo para os países que precisam.

Mais de 25,7 milhões de pessoas vivem com HIV na África Subsaariana. Pelo menos 64% delas recebiam terapia antirretroviral em 2018. Estes pacientes correm agora o risco de interromper o tratamento porque os serviços fecharam ou não podem fornecer tratamento.

Entre as razões para essa situação estão as interrupções na cadeia de suprimentos ou a sobrecarga dos serviços pela necessidade de apoiar a resposta ao novo coronavírus.

Análise

Para a diretora executiva da Unaids, Winnie Byanyima, a pandemia da covid-19 não deve ser uma desculpa para desviar o investimento do HIV. O risco é que sejam sacrificados os ganhos da resposta à Aids no combate ao coronavírus quando “o direito à saúde significa que nenhuma doença deve ser combatida à custa da outra."

A pesquisa reuniu cinco equipes que usaram diferentes modelos matemáticos para analisar os efeitos de possíveis interrupções nos serviços de teste, prevenção e tratamento do HIV causados pelo covid-19.

Em análise estiveram o potencial impacto de interrupções do tratamento em três ou seis meses na mortalidade e na incidência de HIV na África Subsaariana. 

Num cenário de interrupção durante um semestre, as mortes relacionadas à Aids em um ano variaram de 471 mil a 673 mil. Essa situação impediria alcançar a meta global de menos de 500 mil mortes relacionadas à Aids em todo o mundo este ano.
 

Foto: Aliança da Saúde Pública/Ucrânia
Teste de HIV acessível - um passo importante no combate ao vírus.

 

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