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Na África, limitação de serviços de HIV em tempos da covid-19 pode matar 500 mil BR

Estudo cita países de língua portuguesa onde indivíduos relataram atitudes discriminatórias.
UNAIDS
Estudo cita países de língua portuguesa onde indivíduos relataram atitudes discriminatórias.

Na África, limitação de serviços de HIV em tempos da covid-19 pode matar 500 mil

Saúde

Em um ano, mortes relacionadas à Aids podem chegar a 673 mil; fatalidades podem alcançar níveis comparáveis a 2008;  novas infeções infantis têm potencial de aumentar mais de um terço em Moçambique.

A África Subsaariana pode registar mais cerca de meio milhão de mortes por doenças relacionadas à Aids até 2021, se não houver esforços para mitigar e ultrapassar a interrupção dos serviços de saúde durante a pandemia da covid-19.

Essa situação poderia acontecer se a oferta de terapia antirretroviral fosse interrompida durante seis meses, segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde, OMS, e do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids, Unaids.

Moçambique

A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima.
A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima., by Foto: ONU/Amanda Voisard

A redução da cobertura de serviços de HIV para mães e filhos provocaria um aumento de novas infeções infantis de até 37% em Moçambique. As taxas seriam mais altas chegando a 78% no Maláui e no Zimbábue ou mesmo 104% no Uganda.  

A pesquisa divulgada esta segunda-feira apela à ação de comunidades e parceiros para evitar o impacto de uma interrupção do tratamento antirretroviral. Em meio ano, as mortes relacionadas à Aids podem ser comparáveis ao total de 2008, quando mais de 950 mil pessoas perderam a vida na região.

Outra questão é que as pessoas continuariam morrendo por mais cinco anos se essa interrupção afetasse grande número de pacientes. Mais 40% de novas mortes poderiam ocorrer nesse período.

Doenças 

As interrupções também têm potencial de aumentar a incidência do HIV no próximo ano. O diretor-geral da OMS,  Tedros Ghebreyesus, considerou terrível a previsão de mortes por doenças relacionadas à Aids, que em sua análise seriam “como recuar na história”.

Unaids alerta que mais 40% de novas mortes poderiam ocorrer em cinco anos.
Unaids alerta que mais 40% de novas mortes poderiam ocorrer em cinco anos., by ONU News

A proposta do chefe da OMS é que sejam garantidas grandes quantidades de pacotes de tratamento e outros artigos essenciais, e que os suprimentos globais de testes e terapias continuem fluindo para os países que precisam.

Mais de 25,7 milhões de pessoas vivem com HIV na África Subsaariana. Pelo menos 64% delas recebiam terapia antirretroviral em 2018. Estes pacientes correm agora o risco de interromper o tratamento porque os serviços fecharam ou não podem fornecer tratamento.

Entre as razões para essa situação estão as interrupções na cadeia de suprimentos ou a sobrecarga dos serviços pela necessidade de apoiar a resposta ao novo coronavírus.

Análise

Para a diretora executiva da Unaids, Winnie Byanyima, a pandemia da covid-19 não deve ser uma desculpa para desviar o investimento do HIV. O risco é que sejam sacrificados os ganhos da resposta à Aids no combate ao coronavírus quando “o direito à saúde significa que nenhuma doença deve ser combatida à custa da outra."

A pesquisa reuniu cinco equipes que usaram diferentes modelos matemáticos para analisar os efeitos de possíveis interrupções nos serviços de teste, prevenção e tratamento do HIV causados pelo covid-19.

Em análise estiveram o potencial impacto de interrupções do tratamento em três ou seis meses na mortalidade e na incidência de HIV na África Subsaariana. 

Num cenário de interrupção durante um semestre, as mortes relacionadas à Aids em um ano variaram de 471 mil a 673 mil. Essa situação impediria alcançar a meta global de menos de 500 mil mortes relacionadas à Aids em todo o mundo este ano.
 

Teste de HIV acessível - um passo importante no combate ao vírus.
Foto: Aliança da Saúde Pública / Ucrânia
Teste de HIV acessível - um passo importante no combate ao vírus.