Unctad: papel de exportadores de produtos médicos é crucial na resposta à pandemia
BR

28 abril 2020

Comércio internacional de suprimentos hospitalares movimenta US$ 2 triliões; agência quer menos restrições nas exportações e atenção dos grandes países fabricantes às nações sem capacidades tecnológicas ou produtivas.

As Nações Unidas reafirmaram esta terça-feira que a covid-19 é um teste difícil, tanto para os sistemas de saúde como para as relações comerciais globais.

A Conferência  da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad,  alertou sobre os efeitos das restrições de exportação de suprimentos médicos. Esta classe de produtos representa 5% do comércio mundial de mercadorias totalizando US$ 2 trilhões.

Médicos e funcionários da saúde em hospital improvisado em Wuhan, na China. Foto: Sang Huachao

Capacidades

A agência revelou que estes produtos estão concentrados num pequeno número de exportadores, que considera atores-chave na resposta global à covid-19. Em nota, emitida em Genebra, a agência chama a atenção para os países sem capacidades tecnológicas ou produtivas que precisam importar esses suprimentos.

Somente Alemanha, Estados Unidos e Suíça representam 35% do mercado global de produtos hospitalares. Já em relação ao mercado global de produtos de proteção individual, 40% são fornecidos por Alemanha, Estados Unidos e China.

Até esta terça-feira, a Organização Mundial da Saúde relatou 2.924.722 casos confirmados e 200.617 mortes devido à doença.

Universidade Médica de Guangdong
Médicos do universidade Médica de Guangdong na China trabalham na unidade de cuidados intensivos

Sobrevivência

Para a Unctad, equilibrar o interesse nacional dos fabricantes e a sobrevivência coletiva global tem sido um desafio difícil. Um dos fatores é a grande dependência de vários países em desenvolvimento para ter acesso a esses produtos de forma constante e consistente e responder aos desafios à saúde.

A agência disse que aumentaram o interesse nacional dos produtores e as restrições à exportação com a expansão do vírus. Exemplos disso são alertas da Alemanha, Estados Unidos e Índia que interromperiam a exportação de produtos hospitalares.

Na tentativa de garantir suprimentos nacionais, quase 80 países impuseram alguma forma de restrição à exportação de suprimentos médicos.

Para a agência, essas limitações comprometem a disponibilidade global e a acessibilidade porque provocam a subida de preços e prejudicam de forma desproporcional os mais pobres e vulneráveis.

©MSC shipping
China absorve 20% de todas as exportações de commodities no mundo.

Medicamentos

A projeção da agência é que esta situação piore à medida que a importação de suprimentos hospitalares e medicamentos acessíveis se torne mais difícil.

Com os preços mais altos para recursos médicos cada vez mais escassos, a maioria dos países em desenvolvimento tem menos opções para proteger suas populações de forma mais adequada. Para a Unctad, essa situação ajuda a propagar o vírus e a aumentar de forma significativa as taxas de mortalidade.

A agência alerta sobre os efeitos de negligenciar as necessidades dos países em desenvolvimento, no mercado interno. Para o resto do mundo a previsão é que a situação somente volte ao normal “se forem controlados todos os focos do surto”.

Cadeias

Os especialistas da Unctad destacam ainda que o instinto natural de atuar por interesse próprio deve ser associado à compreensão da situação global. A longo prazo, qualquer interrupção das cadeias de produção que tenha restrições à exportação prejudicaria todos os países.
O apelo é que em tempos de crise a ação das cadeias produtivas aconteça da “forma mais suave e eficiente possível para salvar o maior número de pessoas”.  
 

 

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