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Alta comissária da ONU alarmada com restrições a jornalistas durante pandemia BR

A Alta Comissária das ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, discursa em uma coletiva de imprensa em Genebra.
Foto: ONU News/Daniel Johnson Escritório da alta comissária Michelle Bachelet alertou sobre a urgência de proteção da população carcerária feminina, e lembrou que a superlotação dos presídios.

Alta comissária da ONU alarmada com restrições a jornalistas durante pandemia

Direitos humanos

Em comunicado, Michelle Bachelet relatou casos de intimidação e até detenções em vários países contra órgãos de mídia independentes; para a chefe de Direitos Humanos, informação é vital para combater o novo coronavírus; e medidas são “pretexto” para censura.

A alta comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, afirmou que está “alarmada” com casos de intimidação e restrições ao trabalho de jornalistas com base em medidas tomadas para combater a pandemia de covid-19.

Em comunicado, ela ressaltou que as medidas restritivas contra órgãos independentes de mídia e imprensa são impostas por vários países.  Em alguns casos, jornalistas estão sendo presos numa tentativa de proibir informação e silenciar críticas. 

Um grupo de jornalistas e fotógrafos com câmeras profissionais está reunido atrás de uma barreira de metal, olhando para a frente.
Em alguns casos, jornalistas estão sendo presos numa tentativa de proibir informação e silenciar críticas. Foto: ONUViolaine Martin

Fontes seguras 

Para Bachelet, essas medidas estão sendo usadas como pretexto. De acordo com a alta comissária, o livre fluxo de informação é vital para ajudar a combater a pandemia. 

Ela lembrou que mais do que nunca o mundo depende de uma imprensa livre e de notícias de fontes seguras num momento de isolamento social e receios com relação à saúde e à subsistência.  

Bachelet disse ainda que alguns líderes políticos têm feito declarações hostis sobre a mídia e os profissionais criando um ambiente desafiador para a a segurança e a capacidade de os jornalistas fazerem seu trabalho.

Surto

O Instituto Internacional de Imprensa relatou 139 casos de alegações de violações à mídia desde o início do surto do novo coronavírus. Houve mais de 50 denúncias de restrições ao acesso da informação e censura. Há relatos de que cerca de 40 jornalistas foram presos ou indiciados nas regiões da Ásia-Pacífico, Américas, Europa, Oriente Médio e África.

Em todos os casos, os profissionais teriam feito críticas ao Estado pela resposta à pandemia ou simplesmente questionado as estatísticas apresentadas pelas autoridades. 

Um jornalista de vídeo opera uma câmera Sony ao ar livre durante um evento de notícias.
Domínio Público Parceria envolverá influenciadores, sociedade civil, empresas e meios de comunicação social.

Desaparecimentos

Bachelet afirmou que há relatos de desaparecimentos de jornalistas que publicaram matérias críticas e do fechamento de várias empresas de notícias. 

Para a alta comissária de Direitos Humanos, este não é o momento de culpar o mensageiro. E que em vez de ameaçar os jornalistas, os países deveriam promover um debate saudável sobre a pandemia e suas consequências.

Transparência 

Ela afirmou que os cidadãos têm o direito de participar nos processos de decisão que afetam suas vidas.  Para Bachelet, a transparência ajuda a construir confiança. 

Ela encerrou dizendo que a mídia independente ajuda com a informação de médicos e especialistas. E que proteger os jornalistas de assédios e outras ameaças ajuda a manter todos seguros.

Michelle Bachelet concordou com o chefe da ONU, António Guterres, de que o mundo está sofrendo uma ”epidemia” de desinformação e informações falsas sobre a covid-19.