Pandemia pode duplicar número de pessoas que enfrentam crises alimentares
BR

21 abril 2020

Relatório mostra que 265 milhões podem enfrentar insegurança alimentar esse ano, comparando com 135 milhões em 2019; pesquisa destaca lista de 35 maiores crises, entre eles Angola e Moçambique; América Latina e Caribe entre regiões mais afetadas; Conselho de Segurança discute conclusões.

Número de pessoas que enfrenta insegurança alimentar pode duplicar devido à pandemia de covid-19, passando de 135 milhões de pessoas no final de 2019 para 265 milhões no final desse ano. 

A conclusão faz parte do Relatório Global de Crises Alimentares, publicado pelo Programa Mundial de Alimentação, PMA, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e outros parceiros. 

Motivos

O relatório apresenta a escala de insegurança alimentar em cinco fases: mínima, estresse, crise, emergência e fome. 

No ano passado, comparando com 2018, mais de 5 milhões de pessoas estavam nas últimas três fases. A maioria dessas pessoas vivia em países afetados por conflitos, cerca de 77 milhões. Mudanças climáticas eram responsáveis pela situação de 34 milhões de pessoas e crises econômicas responsáveis por 24 milhões.

As piores crises eram Iêmen, República Democrática do Congo, Afeganistão, Venezuela, Etiópia, Sudão do Sul, Síria, Sudão, Nigéria e Haiti. Esses dez países eram responsáveis por 66% da população afetada.

Lusófonos

O relatório destaca uma lista de 35 países onde a situação é mais grave, que inclui Angola e Moçambique. 

A situação mais preocupante é Moçambique. Com uma população de 27,9 milhões, 1,7 milhão de pessoas estava nas últimas três fases de insegurança alimentar, cerca de 1,4 milhão em situação de crise e 265 mil em emergência. 

Mais de 67 mil crianças com menos de cinco anos sofriam de desnutrição grave e 42,6% tinha problemas de crescimento. 

No ano passado, os ciclones Idai e Kenneth destruíram plantações e aumentaram o preço dos alimentos, piorando a crise alimentar que o país já enfrentava. Em 2020, as agências esperam que os números devem ser mantidos, devido à seca e cheias.

Já em Angola, a insegurança alimentar aumentou devido à seca nas províncias do sul e o afluxo de refugiados da República Democrática do Congo.

No país de 31,8 milhões, mais de 562 mil foram afetadas. Cerca de 272 mil viviam em situação de crise e 290 mil em emergência.  Mais de 8% das crianças com menos de cinco anos sofriam de desnutrição grave e perto de 30% tinha problemas de crescimento.

Em 2020, a melhoria das condições de seca deve ajudar as pastagens e aumentar as perspectivas de produção agrícolas. 

América Latina

Cerca de 14%, ou 18,5 milhões, das pessoas em fase de crise ou pior viviam na América Latina e Caribe. 

As principais crises da região eram os quatro países do Corredor Seco da América Central (El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua), Haiti, República Dominicana e Venezuela. Metade dos afetados, cerca de 9,3 milhões, estava na Venezuela.

Choques econômicos eram o principal fator. Na Venezuela, 2019 marcou o quinto ano consecutivo de recessão profunda. Os preços dos alimentos aumentaram mais de 8 mil % em 2019, destruindo o poder de compra dos venezuelanos. No Haiti, onde o número de pessoas com necessidade de assistência urgente cresceu 600 mil, a crise política e socioeconômica foi a principal causa. 

A América Latina e o Caribe também estão sentindo o impacto das mudanças climáticas, com fortes furacões no Atlântico e secas na América Central, sendo a segunda região do mundo mais propensa a desastres climáticos.

Pandemia

Os dados do relatório foram recolhidos antes da pandemia de covid-19. Em 2020,  a situação “é particularmente preocupante devido às previsões da evolução da pandemia.”

Os declínios na atividade econômica provavelmente diminuirão os orçamentos nacionais e das famílias. A situação alimentar pode continuar a piorar, mas a magnitude das consequências ainda não é conhecida.

A pesquisa afirma que “a maioria dos países mencionados não tem meios para realizar atividades humanitárias de resposta à pandemia e, ao mesmo tempo, proteger e apoiar os meios de subsistência dos seus cidadãos.”

Os autores alertam que os doadores internacionais “podem achar cada vez mais difícil priorizar ajuda no exterior quando as situações sociais e econômicas de seus países também estão sendo muito afetadas.” Apesar disso, a pesquisa afirma que os Estados-membros cobertos pelo estudo “não devem ser obrigados a escolher entre salvar vidas e salvar meios de subsistência.”

 

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