Na pandemia, portos de Angola e Moçambique podem dinamizar resposta regional
BR

17 abril 2020

Diretora do PMA para África Austral e Oceano Índico pede instalações portuárias abertas para servir sub-região com 16 países; covid-19 levou a readaptar apoio a milhares de vítimas de ciclones e refugiados.

A operação dos portos de Angola e Moçambique pode ser um motor para aliviar os impactos da pandemia do novo coronavírus na África Austral. A declaração foi feita em vídeo da diretora regional do Programa Mundial de Alimentação, PMA, para África Austral e Oceano Índico.

Lola Castro detalhou à ONU News como as operações essenciais se ajustam à crise da covid-19 na região.

Vítimas

Uma mulher mostra um prato de cigarras em Mazambara, Zimbbábue, uma das opções quando acabam alimentos no PMA., by PMA/Matteo Cosorich

“A operação na África Austral neste momento estava dedicada à alimentação das pessoas atingidas pela seca e também por aqueles ciclones que atingiram Moçambique, como o Idai e o Kenneth, no ano passado. Neste momento, estamos a trabalhar de uma maneira diferente devido ao covid-19. O covid-19 quando chega à nossa região afeta aquelas pessoas que são exatamente vítimas de insegurança alimentar. Tanto nas zonas rurais como nas zonas urbanas.”

Com a transmissão ativa do vírus há grupos que têm merecido atenção, incluindo pacientes de outras enfermidades.
Mas há populações que enfrentam questões como desnutrição, foram obrigadas a se movimentar de áreas de origem ou passam fome devido ao aumento dos preços dos alimentos, perdas de gado e crescente desemprego.

Refugiados

“Especialmente, temos visto, também em Angola, como os refugiados no norte do país têm tido muitos problemas para continuar a sua repatriação para a República Democrática do Congo. Desta maneira, estamos a ver que a covid-19 está a a afetar de uma maneira muito grande países como Moçambique e Angola nesta região.”

A agência já apoiava milhões de famílias em toda a região onde milhões de habitantes estão comendo menos, pulando refeições, tirando crianças da escola, vendendo ativos e se endividando.

Recentemente, o PMA pediu apoio financeiro adicional para que em tempos de pandemia apoie serviços essenciais em áreas como transporte, armazenamento e engenharia em áreas afetadas.

Técnicos da agência conduzem operações de rastreamento de carga, apoiam armazéns e fazem atendimento em toda a África em colaboração com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África. Mas os dois países lusófonos têm papel determinante nas suas áreas.

Proteção

“Neste momento, estamos a modificar os nossos modos de distribuição. Normalmente, fazemos distribuição com produtos alimentares a grupos grandes. Agora temos que ter grupos de pessoas reduzidas. Também temos que ter proteção para as ONGs e pessoal do PMA que trabalha naquelas distribuições. E é muito importante também manter os portos abertos. Portos como Luanda e como Maputo, Beira e Luanda são muito importantes para toda a região da África Austral.”

Para o Programa Mundial de Alimentação, a covid-19 é uma nova ameaça que alterou as ações essenciais na área onde 16 países começaram o ano anunciando um recorde de 45 milhões de pessoas enfrentando insegurança alimentar.

Além da atuação em tempos do coronavirus, as atividades do PMA apoiam vítimas de secas recorrentes, inundações e questões econômicas que na maioria afetam mulheres e crianças da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.

PMA/Rein Skullerud
Falta de financiamento obrigou o PMA a reduzir pela metade as rações alimentares para 525 mil pessoas na província de Sofala, a mais atingida pelo ciclone.

 

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