OMS diz que EUA são “amigo antigo e generoso” e que espera manter parceria
BR

15 abril 2020

Diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus reagiu à decisão do país de cortar financiamento à OMS; ele lembrou trabalho contra poliomielite, sarampo, malária, ebola, HIV, e outras doenças.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, disse que os Estados Unidos são “um amigo generoso e de longa data” e que espera que essa cooperação se mantenha.

Tedros Ghebreyesus falou a jornalistas, em Genebra, nesta quarta-feira, um dia após o presidente americano Donald Trump anunciar a suspensão de fundos para a OMS.

Trabalho

O chefe da agência lamentou a decisão e disse que "com o apoio do povo e do governo dos Estados Unidos, a OMS tem trabalhado para melhorar a saúde das pessoas mais pobres e vulneráveis do mundo."

Tedros lembrou que a OMS não está apenas combatendo a covid-19, mas continua atuando contra poliomielite, sarampo, malária, ebola, HIV, tuberculose, desnutrição, câncer, diabetes, saúde mental e muitas outras doenças.

Solidariedade

Nesse momento, a agência analisa o impacto da decisão dos Estados Unidos.  Segundo Tedros, a OMS atuará com seus parceiros “para preencher as lacunas financeiras e garantir que o trabalho continue."

Ele agradeceu a países, organizações e indivíduos que expressaram seu apoio, dizendo que “esta demonstração de solidariedade global" permite que a agência dê “continuidade ao trabalho.”

Tedros lembrou que o mandato da agência a obriga a trabalhar com todas as nações, sem levar em conta o tamanho de suas populações ou economias. Da mesma forma, “a covid-19 não discrimina entre nações ricas e pobres, grandes e pequenas, nacionalidades, etnias ou ideologias.”

O diretor-geral repetiu que “este é um momento para estar unido na luta comum contra uma ameaça comum.” Segundo ele, quando o mundo está dividido, “o vírus explora essas falhas."

Análise

Tedros Ghebreyesus também informou que o desempenho da OMS será analisado pelos Estados-membros e órgãos independentes para garantir transparência e responsabilidade, dizendo que isso acontecerá “no momento oportuno.”

Segundo ele, "serão identificadas, sem dúvida, áreas de melhoria e haverá lições para todos aprenderem.” Apesar dessa avaliação, ele disse que o foco nesse momento “é conter o coronavírus e salvar vidas."

Colaboração

Durante a pandemia, a OMS reúne, todos os dias, milhares de clínicos, epidemiologistas, educadores, pesquisadores, técnicos de laboratório e especialistas para partilhar informação.

Até ao momento, mais de 90 países aderiram ou manifestaram interesse em participar do Estudo de Solidariedade para encontrar tratamentos ou uma vacina. Mais de 900 pacientes já foram inscritos para avaliar a segurança e eficácia de quatro medicamentos e combinações de medicamentos.

Três vacinas já iniciaram ensaios clínicos e mais de 70 estão em desenvolvimento. A agência está trabalhando com parceiros para acelerar o desenvolvimento, produção e distribuição de vacinas.

Esta semana, entrou em funcionamento a Força-Tarefa da Cadeia de Suprimentos, para ampliar a distribuição de equipamentos médicos essenciais. O primeiro “voo de solidariedade” aconteceu na terça-feira, transportando equipamentos de proteção individual, ventiladores e suprimentos de laboratório para muitos países da África. 

 

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