Unesco alerta para perigo de desinformação sobre covid-19
BR

14 abril 2020

Em declarações à ONU News, especialista da agência afirma que “circulação desenfreada de desinformação pode ceifar vidas”; quatro iniciativas apoiarão centenas de jornalistas em países em desenvolvimento na partilha de dados sobre a pandemia

Uma mídia livre, acesso à informação e novas tecnologias estão tendo um papel importante na luta contra a pandemia de covid-19, afirmou a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco. 

Em entrevista à ONU News, o chefe da Secção de Liberdade de Expressão e Segurança de Jornalistas da agência, Guilherme Canela, disse que “nesta crise sanitária sem precedentes, o papel de um jornalismo livre, independente e plural é, quem sabe, mais relevante do que nunca.”

Importância

“O acesso à informação verificada pode salvar vidas, ao mesmo tempo que a circulação desenfreada de desinformação pode ceifar vidas e impactar profundamente o desenho de políticas públicas para o enfrentamento da emergência atual. Nesse sentido, a Unesco tem desenvolvido uma série de ferramentas relacionadas ao mundo da comunicação, mensagens de áudio, campanhas de alfabetização mediática e informacional.”

A Unesco é a agência da ONU com mandato para promover o fluxo livre de ideias. Na atual crise da covid-19, a agência criou várias iniciativas para ajudar a compartilhar informações, denunciar informação falsa e impulsionar o uso de mídias de interesse público. Todos esses recursos estão disponíveis online.

À ONU News, Guilherme Canela destacou as ferramentas voltadas para o público do jornalismo.  

“Um centro de recursos está disponível na nossa página, com informações sobre segurança de jornalistas na cobertura da crise atual, sobre como lidar com os processos de desinformação, sobre jornalismo científico. Em particular, recomendamos um manual desenvolvido pela Unesco sobre jornalismo e desinformação e como enfrentar isso. Está disponível também em português e muito brevemente vamos lançar um em linha massivo, em várias línguas, incluindo português, sobre o enfrentamento dessa atual situação, a cobertura, pelos profissionais da imprensa.”

A Unesco também está monitorando o impacto da crise na liberdade de imprensa, na segurança dos jornalistas e no direito fundamental de acesso à informação. 

Ajuda

A agência aprovou quatro novos projetos de apoio a jornalistas em países em desenvolvimento, através do seu Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação.

Devido à iniciativa, um grupo de 200 jornalistas mulheres da África Ocidental estarão conectadas através de uma rede online com acesso a materiais sobre cobertura da pandemia. Na mesma região e no sul de África, também serão beneficiadas 25 rádios comunitárias que servem 250 mil cidadãos de comunidades rurais e marginalizadas.

Já na Índia, 25 meios de comunicação trabalharão com as autoridades de resposta e prevenção de desastres para chegar a comunidades marginalizadas. No Caribe, a prioridade será dada ao combate à desinformação, com 50 profissionais recebendo apoio para confirmar fatos e combater desinformação.

Campanha

A agência da ONU também lançou uma campanha com o tema #dontgoviral, em parceria com a Fundação para Inovação de Políticas, para combater a disseminação de informação falsa em África. O deputado do Uganda e músico Bobi Wine disponibilizou a sua música para ser usada na campanha e mais de 40 artistas se juntaram à iniciativa.

Em nota, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, disse que “esta crise mostra a importância de um fluxo de informação de qualidade e de confiança, numa altura em que a desinformação e os rumores estão florescendo.” 

 

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