FAO tenta conter praga do gafanhoto do deserto na África apesar de pandemia
BR

13 abril 2020

Organização para Alimentação e Agricultura diz que restrição de movimentos e equipamentos dificulta ação no leste do continente, afetado pelas densas nuvens de gafanhoto; situação ainda é alarmante no Quênia, Etiópia e Somália. 

Uma ameaça sem precedentes à segurança alimentar no leste da África está sendo agravada pela pandemia do novo coronavírus.

O alerta é da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO. 

FAO quer aumentar as operações intensivas de controle dos gafanhotos do deserto.
FAO quer aumentar as operações intensivas de controle dos gafanhotos do deserto. Foto: FAO/Carl de Souza

20 milhões 

Segundo a agência, o combate à praga de gafanhotos do deserto, que afeta o leste da África há vários meses está encontrando muitos obstáculos por causa das restrições impostas contra a contaminação com a covid-19.

Cerca de 20 milhões de pessoas na região já enfrentam insegurança alimentar aguda. A situação é alarmante principalmente no Quênia, na Etiópia e na Somália. Mas Sudão do Sul, Uganda e Tanzânia também atravessam o problema com as densas nuvens de gafanhotos que arrasam plantações inteiras.

Gafanhotos podem afetar a segurança alimentar de milhões de pessoas.
Foto: FAO/Yasuyoshi Chiba
Gafanhotos podem afetar a segurança alimentar de milhões de pessoas.

Iêmen

Uma outra preocupação da FAO são os 15 milhões de pessoas no Iêmen que estão sofrendo com a praga. A estação de chuvas do mês de março e das próximas semanas levou a um aumento na reprodução dos gafanhotos do deserto. No Irã, uma nova geração dos insetos está surgindo.

Apesar de queda no número de pessoal para combater a praga por causa da covid-19, a agência da ONU continua a atuar com governos, agricultores e produtores para conter as nuvens. 

As fêmeas dos gafanhotos do deserto podem colocar até 300 ovos durante a vida.
FAO/G.Tortoli
As fêmeas dos gafanhotos do deserto podem colocar até 300 ovos durante a vida.

Pulverização 

A FAO informou que tem realizado operações aéreas de vigilância para identificar as áreas mais afetadas. Um dos recursos utilizados é a dedetização que está sendo conduzida em 10 países. 

Até o momento, mais de 240 mil hectares já foram tratados com pesticidas e 740 pessoas treinadas para a pulverização. 

Mas a agência encontra dificuldades no fornecimento dos produtos por causa do fechamento dos mercados após a pandemia. 

Por isso, a FAO decidiu investir na coleta de dados, remotamente, e na sua rede de parceiros e sociedade civil especialmente na Etiópia, no Quénia, no Sudão do Sul e na Somália. 

Uma pequena nuvem de gafanhotos pode comer a mesma quantidade de alimentos consumidos em um dia por cerca de 35 mil pessoas.
FAO/Yasuyoshi Chiba
Uma pequena nuvem de gafanhotos pode comer a mesma quantidade de alimentos consumidos em um dia por cerca de 35 mil pessoas.

Apelo

A praga do gafanhoto do deserto é uma das pestes migratórias mais destrutivas do mundo. E segundo a FAO, a quantidade de gafanhotos pode subir até 20 vezes por causa da estação de chuvas, se nenhuma providência for tomada. 

Para isso, a agência aumentou o apelo de combate para US$ 153, 2 milhões. 
 

 

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