Líbia: ONU avisa que ataques a hospitais podem ser considerados crimes de guerra
BR

8 abril 2020

Secretário-geral adverte sobre consequências do tipo de operação em momento do combate à pandemia de covid-19; Conselho de Segurança faz reunião fechada para debater situação no país do norte da África.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou com veemência os bombardeios que acontecem pelo segundo dia consecutivo no Hospital Geral Al Khadra em Trípoli, na Líbia. 

Conselho de Segurança realiza uma reunião fechada para debater a situação Líbia. Foto: ONU/Manuel Elias

Agências de notícias citam relatos das autoridades do distrito de Abu Salim dando conta de fortes explosões ao redor do hospital na segunda-feira durante os bombardeios. Os envolvidos seriam as forças do governo reconhecido pela comunidade internacional e rebeldes liderados pelo general Khalifa Haftar.

Feridos 

Após a operação, agências de notícias informaram que veículos teriam sido danificados no terreno do hospital e pelo menos cinco pessoas foram feridas no ataque. Outros pacientes do hospital foram evacuados.

Nesta quarta-feira, o Conselho de Segurança realiza uma reunião fechada para debater a situação na Líbia.
No comunicado, Guterres condena os contínuos ataques ao pessoal médico, aos hospitais e instalações médicas, particularmente em “um momento crítico para impedir a propagação da pandemia de covid-19”.

De acordo com autoridades de saúde, o país já confirmou pelo menos 18 casos de contaminação pelo vírus. A Líbia está em conflito desde a revolta popular de 2011.

Ocha/D.Palanivelu
Pacientes em tratamento no Hospital do Governo de Trípoli, na Líbia.

Crimes

O chefe da ONU lembra a todas as partes do conflito que o pessoal médico, hospitais e centros de saúde estão protegidos pelo Direito Internacional Humanitário e que “os ataques podem ser considerados crimes de guerra”.
O apelo do secretário-geral é que as partes observam o cessar-fogo global e uma pausa humanitária para salvar vidas. A meta é permitir que as autoridades e seus parceiros dediquem todos os esforços para impedir a propagação da covid-19.
 

 

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