VÍDEO: Guterres diz que mundo pode vencer crise do covid-19 com ações coordenadas 
BR

19 março 2020

Em declaração, gravada em português na sede da ONU, secretário-geral afirmou que essa é uma “crise mundial de saúde sem precedentes nos 75 anos de história das Nações Unidas”; segundo António Guterres, este é o momento de os países reforçarem seus sistemas de saúde e investimentos cruciais em serviços públicos do século 21.  

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o mundo tem condições de vencer a crise global provocada pela pandemia do novo coronavírus. 

Em mensagem, gravada em quatro línguas incluindo o português, o chefe da ONU elogiou a decisão do grupo das 20 maiores economias do mundo, G-20, de realizar um Encontro de Cúpula urgente para debater soluções para a crise mundial de saúde. 

Guterres, que também participará da reunião com chefes de Estado e Governo, afirma que o mundo está na iminência de uma recessão mundial e que é hora de políticas e ações coordenadas como solidariedade para resolver essa equação. 

“A gestão desta crise apresenta-se também como uma oportunidade única. Feita corretamente, poderemos apostar numa recuperação que trilhe um caminho mais sustentável e inclusivo. Apelo a todos os líderes mundiais que se unam e disponibilizem uma resposta urgente, e coordenada. As Nações Unidas irão apoiar todos os governos para assegurar que a economia mundial, e as pessoas que servimos, saiam mais fortes desta crise.” 

Leia mensagem na íntegra: 

Enfrentamos hoje uma crise mundial de saúde sem precedentes, nos 75 anos de história das Nações Unidas.  

As pessoas estão em sofrimento, doentes e assustadas. 

Uma recessão mundial, que pode vir a ter uma dimensão nunca vista, é cada vez mais uma certeza. 

Este é um momento que exige políticas de ação coordenadas, decisivas e inovadoras por parte das economias mais desenvolvidas. Devemos enfatizar que os países mais pobres e as pessoas mais vulneráveis, especialmente as mulheres, serão os mais afetados. 

Esta é, acima de tudo, uma crise social que exige solidariedade. 

A gestão desta crise apresenta-se também como uma oportunidade única.  

Feita corretamente, poderemos apostar numa recuperação que trilhe um caminho mais sustentável e inclusivo. 

Apelo a todos os líderes mundiais que se unam e disponibilizem uma resposta urgente, e coordenada. 

As Nações Unidas irão apoiar todos os governos para assegurar que a economia mundial, e as pessoas que servimos, saiam mais fortes desta crise. 

Apelo a todos os líderes mundiais que se unam e disponibilizem uma resposta urgente, e coordenada. 

Mais do que nunca, necessitamos de solidariedade, de esperança e de vontade política para juntos, superarmos esta crise.  

Está provado que o vírus pode ser contido. Tem de ser contido. 

Se permitirmos que se propague como uma praga, sobretudo nas regiões mais vulneráveis do mundo, o vírus matará milhões de pessoas. 

É ainda necessário alterar esta situação, em que que cada país tem a sua própria estratégia de saúde, para que, com total transparência, se adote uma resposta global coordenada, que ajude os países menos preparados a lidar com esta crise.  

Os governos têm de prestar o seu maior apoio ao esforço multilateral no combate ao vírus, liderado pela Organização Mundial de Saúde, cujos apelos devem ser inteiramente considerados. 

Esta catástrofe sanitária deixa claro que somos apenas tão fortes quanto o sistema de saúde mais fraco. 

A solidariedade mundial não é só um imperativo moral, é um interesse de todos. 

Ao contrário do que aconteceu na crise financeira de 2008, injetar capital no setor financeiro, por si só, não resolverá esta crise. Não estamos perante uma crise da banca. Na verdade, os bancos devem fazer parte da solução.  

Não nos podemos esquecer que esta é, essencialmente, uma crise social.  

Fundamentalmente, as pessoas devem ser a nossa prioridade: os mais vulneráveis, os trabalhadores com salários baixos, as pequenas e médias empresas.  

Isto significa apoio a salários, garantias bancárias, proteção social, prevenindo falências e a perda de postos de trabalho.  

Também significa desenhar respostas orçamentais e monetárias, para garantir que o fardo não caia sobre aqueles que menos o podem suportar. 

Não nos podemos esquecer que esta é, essencialmente, uma crise social. 

A retoma não pode ser feita à custa dos mais pobres e não podemos criar uma legião de novos pobres.  

A crise financeira de 2008 demonstrou, claramente, que os países com sistemas de proteção social robustos sofreram menos e recuperaram mais rapidamente. 

Temos de aprender a lição e garantir que esta crise representa uma oportunidade única, para reforçar a resposta às emergências de saúde e o investimento crucial em serviços públicos do século XXI.  

Temos um quadro de ação: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris para as Alterações Climáticas. Temos de cumprir as promessas feitas às pessoas e ao planeta. 

 

 

 

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