Guiné-Bissau precisa acelerar aprovação de plano de contingência contra covid-19 
BR

20 março 2020

Em entrevista à ONU News, representante da agência da Organização Mundial da Saúde, em Bissau, afirma que país pode ter casos “a qualquer momento”; novo coronavírus já chegou às nações vizinhas; OMS assistiu Guiné-Bissau com a capacidade de diagnóstico.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, avisou que as autoridades da Guiné-Bissau estão a perder tempo com a falta de aprovação do plano de contingência contra o novo coronavírus, elaborado com apoio da agência da ONU.    

Os países vizinhos já têm casos confirmados. Até quinta-feira, o Senegal havia notificado 31 casos positivos e a Guiné-Conacri um. A Gâmbia, que tem muitas ligações com a Guiné-Bissau, também regista o covid-19. 

Planos  

Em entrevista à ONU News*, o representante da OMS no país, Jean Marie Kipela, explicou a necessidade de aprovar o documento. O plano tem um orçamento de cerca de US$ 1 milhão.  

“No Plano de contingência, tudo está incluído, porque tem muitos pilares, incluindo prevenção, local de isolamento e quarentena e tratamento dos casos confirmados. Tudo isso está no plano, mas, até esse momento, a implementação do plano não está sendo feita nem a mobilização dos recursos. O plano existe, mas não está ainda aprovado pelas autoridades para começar a implementação. Estamos a perder tempo porque a qualquer momento podemos ter casos.”  

Segundo o representante, a OMS recomenda a criação destes planos desde o início da epidemia. Kipela diz que estes documentos “são importantes para mobilizar recursos” e “sensibilizar a população sobre medidas de prevenção.”  

“A OMS está na frente para apoiar o país através das suas diretrizes, através do reforço da capacitação das pessoas e também alertando o país para se preparar para enfrentar esta doença que, sendo uma pandemia, tem um risco muito alto para todo o país. A nível da África, já temos 30 países infetados.”  

Testes 

A agência da ONU também ajudou o país a conseguir a capacidade de realizar os seus próprios testes. Até terça-feira, a agência já tinha enviado quase 1,5 milhão de testes para 120 nações. A agência está atuando com empresas para aumentar a disponibilidade desses exames para os mais carentes.   

“No início, quando começou na China, só dois países africanos eram capazes de fazer o diagnóstico: Senegal e África do Sul. Agora, com o apoio da OMS e das Nações Unidas, já temos 40 países capazes de fazer o diagnóstico, incluindo a Guiné-Bissau. Neste momento, temos kits de diagnóstico, mas não em quantidades suficientes.” 

Desafios 

Um relatório do Escritório Integrado de Construção da Paz da ONU na Guiné-Bissau, Uniogbis, publicado em 2017, destaca “enormes desafios" para o acesso à saúde no país de língua portuguesa. 

Segundo o documento, a maioria das clínicas e postos básicos de saúde carecem de eletricidade ou abastecimento de água e os salários no setor são baixos. 

O relatório afirma ainda que a instabilidade política, a pobreza endêmica, os déficits de prestação de contas, do acesso a alimentos, educação, água potável e saneamento levam a violações do direito à saúde. 

 

*Com apoio do Escritório Integrado de Construção da Paz da ONU na Guiné-Bissau, Uniogbis 

 

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