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Covid-19 em África: aproximação do inverno gera receios de aumento de casos   BR

Jean Marie Bofio, uma funcionária do Unicef na área de Água, Saneamento e Higiene (WASH), demonstra a lavagem das mãos para um grupo de crianças em um ponto de distribuição de água em Mangina, Kivu do Norte, República Democrática do Congo.
Unicef/Mark Naftalin. Crianças aprendem a lavar corretamente as mãos para evitar a propagação do covid-19.

Covid-19 em África: aproximação do inverno gera receios de aumento de casos  

Saúde

Chefe regional da OMS alerta sobre evolução “extremamente rápida” de notificações; mais de 62% dos países já confirmaram casos; especialistas investigam possível relação entre prevalência com clima ou temperaturas quentes. 

No continente africano, 34 dos 54 países já notificaram cerca de 650 casos de infeção pelo covid-19, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS. 

A diretora do Escritório da agência em África, Matshidiso Moeti, disse esta quinta-feira que essa evolução é “extremamente rápida” na região. Ela apresentou uma atualização num debate, em Genebra, promovido pelo Fórum Económico Mundial. 

Crescimento  

A África Subsaariana teve o primeiro caso anunciado em 28 de fevereiro. Em sua declaração, via videoconferência, a representante destacou que o crescimento na região foi rápido.  Há cerca de 10 dias, apenas “cinco países" tinham casos do vírus. 

Um grupo de funcionários da ONU , trajando coletes, está reunido em um escritório para uma reunião, com mapas da República Democrática do Congo visíveis na parede.
Diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti. , by OMS

Especialistas da agência têm analisado os padrões da gripe normal no continente com académicos e outras instituições. A meta é tentar compreender a natureza do novo coronavírus e se a expansão pode ter relação com o clima e as temperaturas quentes da região.  

A diretora da OMS disse que, nas próximas semanas, pode-se “esperar um aumento com a chegada do inverno”. 

Moeti destacou que 43 países já têm kits de testes. 

Recursos  

A chefe regional da OMS também expressou preocupação com as restrições de viagem e seu impacto na capacidade de fornecer recursos necessários para conter as transmissões. A agência da ONU pondera criar corredores humanitários para lidar com o novo coronavírus. 

Em 27 países, foi observado que pessoas chegadas da Europa, o atual epicentro da infeção, tinham a doença ao entrar no continente africano. Em quatro países foi relatada transmissão local iniciadas por casos de recém-chegados da Europa e de nações africanas. 

Uma rua vazia em Nairóbi, Quênia, com algumas pessoas e uma motocicleta durante a pandemia de COVID-19.
Rua habitualmente movimentada de Nairobi com menos gente para evitar alastramento de coronavirus., by ONU Quénia/Newton Kanhema

A preocupação com o rápido aumento de casos marcou o debate em que participaram especialistas da OMS na África do Sul e Senegal, países mais afetados do continente Africano.  

Para a representante da OMS no Senegal, Lucile Imboua-Niava,  a rotina e os hábitos de vida locais  podem estar permitindo uma maior disseminação. O país tem 35 casos confirmados e 20 de transmissão local.  

Casos da Europa  

Na África do Sul, Owen Kaluwa  disse que o primeiro paciente foi diagnosticado em 5 de março. Cerca de 15 dias, a nação conta com 150 confirmações de viajantes da Europa e 12 de transmissão local. As províncias de Gauteng, Kwazulu-Natal e Cabo Oriental são as mais afetadas. 

Não foi oferecida a quantidade de testes que os países desejariam ter. E ela incentivou alternativas locais que a OMS tem acompanhado de perto. Moeti disse que 40 países têm condições em hospitais que podem detetar a doença.  

Ela apontou ainda o distanciamento social como um desafio para famílias que dormem juntas no mesmo lugar, e onde há casas sem água canalizada para a lavagem de mãos tal como é recomendado.  

Para isso, a agência recomenda abordagens que podem ser adaptáveis localmente, como o uso de desinfetantes à base de álcool apoiado pelo setor privado. Segundo ela, o momento exige pensar de uma forma diferente em como promover o acesso ao uso de máscaras onde for necessário.  

China   

Moeti afirmou que no princípio da epidemia, a maior preocupação era com a influência da China como um parceiro económico-chave do continente. Mas foi observado que os casos em África ainda eram menores que os da Ásia, Europa e América do Sul. 

Para a chefe da OMS em África, as medidas de prevenção atempada adotadas na China e a forma como foi abordada a possível transmissão fora desse país podem ter reduzido o risco no continente africano. 

Imagem de microscopia eletrônica de transmissão de um isolado de SARS-CoV-2, mostrando partículas virais esféricas coloridas de azul dentro do citoplasma de uma célula.
Foto: CDC/Hannah A Bullock/Azaibi Tami OMS pede união de esforços nacionais e federais de um modo mais sistemático no Brasil.