Covid-19 leva à suspensão de transferências de refugiados entre países 
BR

18 março 2020

Medida do Acnur e OIM será temporária; razões incluem restrições, interrupção de reassentamentos das pessoas que buscam abrigo; Unicef pede a doadores que continuem apoio diante dos desafios da epidemia. 

Uma semana após a declaração de pandemia do novo coronavírus, agências da ONU anunciam que vão suspender o reassentamento de refugiados como “medida temporária que será implementada apenas enquanto continuar a ser essencial”.  

A informação foi publicada pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e a Organização Internacional para Migrações, OIM, que dizem existir poucas opções diante do atual cenário da epidemia. 

Exposição 

OMS quer recursos suficientes para derrotar o novo coronavírus.
Uma ilustração digital do coronavírus mostra a aparência do vírus em forma de coroa., by Centro de Controle e Prevenção de Doenças

De um lado, as agências apontam as restrições de viagem dos países e cancelamento de programas de reassentamento de refugiados. Outra preocupação é o fato de viagens internacionais aumentarem a exposição ao vírus para pessoas que precisam de abrigo. 

Em 2019, o Acnur ajudou a transferir mais de 63,6 mil refugiados para um novo país. O número inclui pessoas que fugiram de crises em nações como Síria, República Democrática do Congo, Afeganistão e Somália.  

A OIM ajudou quase 95 mil pessoas a encontrar abrigo, tanto através de um programa de reassentamento num país mais seguro como de esquemas humanitários. 

Na terça-feira, a Organização Mundial da Saúde publicou a atualização sobre o coronavírus apontando para pelo menos 184.973 infectados e 7.529 mortos pela doença em 125 países.  

Dificuldades  

Em nota separada, a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, destaca que mais do que nunca neste momento conta com doadores para continuar a apoiar os necessitados apesar das dificuldades. 

Henrietta Fore descreve um cenário de aumento contínuo do número de covid-19, com centenas de milhões de crianças fora das escolas. Seus pais e responsáveis trabalham a distância, várias fronteiras foram fechadas e vidas prejudicadas. 

Para a chefe do Unicef, em “águas desconhecidas para todos” a agência combate um novo vírus desmistificando e atuando contra a desinformação, enquanto cuida do bem-estar da equipe e de famílias.  

Fore destaca que a necessidade de apoio nunca foi tão grande para salvar vidas, proporcionar saúde, educação, nutrição e proteção às crianças. Por outro lado, lembrou que continua atuando junto a menores deslocados por guerras, morrendo de causas evitáveis ou fora da escola e precisando de vacinas essenciais. 

Afetados 

Em momento marcado pela pandemia do coronavírus, o Unicef disse apoiar a prevenção da propagação do vírus entre grupos em países afetados. 

As ações nesse campo incluem fornecer informações para manter as famílias seguras, kits médicos e de higiene para escolas e clínicas de saúde e mitigação do impacto do surto no acesso das crianças à saúde, à educação e serviços sociais. 

Refugiados da Somália, Síria e Eritreia embarcam em um ônibus no Centro de Recolhimento e Partida do Acnur em Trípoli, Líbia, a caminho de um voo de evacuação para a Itália.
© Acnur/Mohamed Alalem
Refugiados da Somália, Síria e Eritreia embarcam em um ônibus no Centro de Recolhimento e Partida do Acnur em Trípoli, Líbia, a caminho de um voo de evacuação para a Itália.

 

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