Quase 5 milhões de crianças nasceram na Síria desde o início da guerra
BR

15 março 2020

Cerca de 1 milhão de crianças nasceu em países vizinhos como refugiadas e mais de 9 mil foram mortas ou feridas; novos dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, marcam nove anos desde o início do conflito.

Cerca de 4,8 milhões de crianças nasceram na Síria desde o início do conflito há nove anos e 1 milhão nasceu como refugiadas nos países vizinhos, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
Segundo a agência, ainda hoje estas crianças “continuam a enfrentar as consequências arrasadoras de uma guerra brutal.”

Escola primária Kansafra, em Idlib, atacada em fevereiro de 2020, Unicef/Ali Haj Suleiman

Marco

Em nota, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que a data é "um marco vergonhoso." Ela lembrou que “milhões de crianças estão entrando na segunda década de vida, cercadas por guerra, violência, morte e deslocamento.”

Para Fore, “a necessidade de paz nunca foi tão urgente.”

A agência começou recolhendo dados oficiais em 2014. Desde então, mais de 9 mil crianças foram mortas ou feridas. Cerca de 5 mil, algumas com apenas sete anos, foram recrutadas para lutar. Quase mil instalações médicas e de educação foram atacadas.

Segundo o Unicef, esses são apenas os números verificados, por isso é provável que o verdadeiro impacto seja mais profundo.

Escolhas

Para o diretor regional do Unicef para o Oriente Médio e norte da África, Ted Chaiban, “o contexto na Síria é um dos mais complexos do mundo.”

Infelizmente, a violência e o conflito continuam em vários locais, inclusive no Noroeste, com graves consequências para as crianças. Chaiban disse que os últimos nove anos “levaram o país à beira do precipício.”

O representante ouviu histórias de famílias que tiveram de escolher entre enviar os filhos para combater ou casar cedo. Segundo ele, “nenhum pai deve ser forçado a tomar essas decisões.”

No Noroeste da Síria, a escalada do conflito e as duras condições de inverno pioraram uma crise humanitária que já era terrível. Mais de 960 mil pessoas, incluindo mais de 575 mil crianças, foram forçadas a abandonar suas casas desde 1 de dezembro de 2019.

No nordeste do país, pelo menos 28 mil crianças de mais de 60 condados continuam definhando em campos de deslocados, sem acesso aos serviços mais básicos. Apenas 765 crianças foram repatriadas para seus locais de origem desde janeiro.

Henrietta Fore numa visita a uma escola em Idlib em fevereiro de 2020, Unicef/OMAR SANADIKI

Consequências

Nove anos de conflito tiveram fortes consequências nos sistemas de saúde e educação. 

Duas em cada cinco escolas não podem ser usadas porque estão destruídas, danificadas, abrigando famílias deslocadas ou sendo usadas para fins militares. Mais da metade de todas as unidades de saúde não estão em funcionamento.

Como consequência, mais de 2,8 milhões de crianças estão fora da escola na Síria e nos países vizinhos. Mais de dois terços das crianças com deficiência física ou mental necessitam de serviços especializados que não existem na sua região. 

O conflito também teve um impacto na economia, com os preços dos itens básicos aumentando 20 vezes desde o início da guerra.

Henrietta Fore disse que a mensagem da agência é clara. As partes em conflito devem parar de atingir escolas e hospitais, parar de matar e mutilar crianças e facilitar o acesso necessário para alcançar os mais necessitados.

Resposta

O Unicef atua com uma ampla rede de parceiros na Síria e nos países vizinhos. Apenas no ano passado, vacinou quase 750 mil crianças contra o sarampo, deu apoio psicossocial a mais de 1 milhão e serviços de educação formal e não formal a quase 3 milhões. 

A agência também levou água potável a mais de 5,3 milhões de pessoas através de melhorias nos sistemas de abastecimento de água. Quase 2 milhões de pessoas foram beneficiadas com melhorias nos serviços de saneamento e higiene. 

Atualmente, o Unicef precisa de US$ 682 milhões para manter esses programas. 

Para o diretor regional da agência, “a assistência humanitária não acabará com a guerra, mas ajudará a manter as crianças vivas.”

 

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