PMA forçado a reduzir apoio a vítimas do ciclone Idai em Moçambique
BR

12 março 2020

Programa Mundial para a Alimentação, PMA, cortou pela metade as rações alimentares devido à falta de fundos afetando cerca de 525 mil pessoas na província de Sofala; apoio deve ser reduzido totalmente, ainda este mês, se problema de financiamento não for resolvido; desastre faz um ano neste 15 de março.

Um ano após o ciclone Idai arrasar grande parte do centro de Moçambique, mais de meio milhão de sobreviventes sofrem outra ameaça: a da falta de apoio com alimentos entregues pela agência da ONU nessa área.

A falta de financiamento afeta muitas das pessoas mais atingidas, informou esta quinta-feira o Programa Mundial para a Alimentação, PMA.

Falta de financiamento obrigou o PMA a reduzir pela metade as rações alimentares para 525 mil pessoas na província de Sofala, a mais atingida pelo ciclone. Foto: PMA/Rein Skullerud

Hortas

Nas semanas após o desastre, a assistência de emergência do PMA chegou a 1,8 milhão de pessoas. Mas, um ano depois, muitos ainda enfrentam incerteza.

Em fevereiro, a falta de financiamento obrigou o PMA a reduzir pela metade as rações alimentares para 525 mil pessoas na província de Sofala, a mais atingida pelo ciclone. Se a agência não receber mais fundos, em breve, esse apoio será interrompido completamente ainda este mês.

Em nota, a diretora regional do PMA para a África Austral, Lola Castro, disse que os projetos do PMA, que incluem hortas comunitárias, reparos de estradas, pontes e escolas, são “uma fonte de esperança." Ela afirmou que "esse trabalho essencial deve continuar para se alcançar uma recuperação real e duradoura." 

Para 2020, o PMA precisa de US$ 91 milhões para implementar todos seus projetos de reabilitação para as vítimas do Idai.

Insegurança alimentar

A agência prevê que a próxima colheita, que acontece entre abril e maio, seja relativamente boa. Ainda assim, poucas das 250 mil famílias que tiveram suas casas danificadas pelo ciclone conseguiram retornar às suas aldeias.

Muitos são agricultores de subsistência, que tiveram suas colheitas destruídas no ano passado e que não conseguiram replantar a tempo para este ano. A maioria tem níveis persistentes de "crise" ou "emergência" de insegurança alimentar, o que significa que não comem o suficiente e continuam a precisar de ajuda externa para sobreviver.

Moçambique tem uma das taxas mais altas de desnutrição crônica no mundo, atingindo 43% das crianças com menos de cinco anos. Segundo o PMA, a desnutrição aguda está aumentando, justamente, entre as comunidades afetadas pelo Idai.

Recentemente, um surto raro de pelagra, uma doença causada pela falta de vitamina B3, afetou quase 4 mil pessoas em Sofala e os números continuam aumentando rapidamente.

PMA/Rein Skullerud
Nas semanas após o desastre, a assistência de emergência do PMA chegou a 1,8 milhão de pessoas.

Adaptação

Devido à forte dependência da agricultura de pequena escala e vulnerabilidade às mudanças climáticas, o PMA afirma que são necessários mais investimentos na adaptação a estas mudanças e redução de riscos de desastres.

Lola Castro lembrou que "melhorar a capacidade dos moçambicanos contra de secas e inundações era o centro do trabalho” da PMA. Segundo a representante, esse trabalho deve recomeçar agora.

 

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