ONU em Moçambique pede US$ 120 milhões para seguir assistindo vítimas dos ciclones
BR

11 março 2020

Representante da organização e coordenadora humanitária no país, Myrta Kaulard, explicou que quantia servirá para necessidades mais urgentes; outros US$ 40 milhões devem ser aplicados para combater insegurança alimentar e seca.

Uma série de eventos marca nesta semana um ano do desastre natural, no centro de Moçambique, atingido pelos ciclones Idai e Kenneth.

As Nações Unidas participam das cerimônias e lançam um apelo de US$ 120 milhões para seguir ajudando cerca de 1,8 milhão de deslocados.

Zimbábue e Malauí

Cerca de 600 pessoas morreram após a passagem dos dois ciclones com uma diferença de cinco semanas entre si.

O primeiro desastre causado pelo Idai ocorreu de 14 para 15 de março de 2019.

Os dois ciclones foram considerados os piores já que passaram pela África em décadas. Moçambique foi o país mais arrasado, mas também o Zimbábue e o Malauí foram afetados.

Um ano depois, as Nações Unidas continuam apoiando as autoridades para que as vítimas possam se reerguer como contou à ONU News, a representante das Nações Unidas em Moçambique, Myrta Kaulard.

Reconstrução

“Como Nações Unidas estamos a pedir do lado humanitário e da recuperação imediata US$ 120 milhões. Do lado da reconstrução, faltam 50% do que foi comprometido pela comunidade internacional, US$ 1,5 mil milhão, frente a uma necessidade de US$ 3,2 mil milhões.”

A também coordenadora humanitária da ONU explicou porque é urgente esse montante. Entre as maiores necessidades está a assistência a 1,9 milhão de pessoas que vivem em situação de insegurança alimentar no país.

“Estes US$ 120 milhões são para zonas onde tiveram ciclones. A parte da insegurança alimentar e da seca precisa de US$ 40 milhões. Já vimos que não vamos ter uma produção agrícola, como normalmente esperamos, então é necessário ter recursos para poder ajudar as famílias”.

Vista desde a prefeitura de Beira, a cidade moçambicana mais atingida pelo ciclone Idai, Foto ONU/Eskinder Debebe

As Nações Unidas destacaram que a ação do governo e dos parceiros na reconstrução é “visível nas zonas afetadas”. Como exemplo disso, a coordenadora humanitária em Moçambique apontou a rapidez na integração das crianças na escola.

Escola

“Vimos que todos os meninos puderam passar nos exames da escola. Os meninos não perderam o período escolar por causa do Idai e Kenneth. Vemos pessoas que receberam ajuda alimentar. Dos 2,5 milhões de pessoas afetadas, 2,3 milhões receberam ajuda alimentar, isto é muito importante”

Devido à localização geográfica, Moçambique é propenso a desastres naturais. As Nações Unidas preveem que os eventos climáticos aumentem a frequência e gravidade desses acidentes naturais, ao longo do tempo. Como forma de minimizar danos, a organização apela por uma reconstrução resiliente.

“Para reconstruir melhor e mais resilientes precisamos de tempo. São 300 mil habitações que foram destruídas. Temos 140 mil famílias que têm uma casa temporária (tendas). Temos que reconstruir de uma forma melhor porque estamos seguros que vamos ter outros ciclones em Moçambique”.

Em fevereiro, o Programa Mundial para a Alimentação, PMA, recebeu uma contribuição de € 7,5 milhões da União Europeia.

O valor destina-se a pessoas que enfrentam insegurança alimentar nas províncias centrais de Moçambique, as mais afetadas pela seca e pelas inundações. Outra parte será canalizada para vítimas da violência na província de Cabo Delgado, a norte.

 

De Maputo para ONU News, Ouri Pota

   

 

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