Em Moçambique, recuperação de ervas marinhas pode beneficiar comunidades locais
BR

29 fevereiro 2020

Universidade em Maputo, capital do país, está identificando e restaurando habitats de ervas marinhas, consideradas “baterias de oxigênio para o oceano”; no noroeste da Baía de Maputo, 86% dos prados foram perdidos; quadro coloca em risco agricultura local, emprego e segurança alimentar.

Em Moçambique, vários especialistas alertam que a pesca destrutiva de moluscos, junto com inundações e a sedimentação dos rios que desaguam na baía, estão destruindo com rapidez as ervas marinhas.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, revelou com base em pesquisas que só no noroeste da Baía de Maputo, 86% dos prados de ervas marinhas foram perdidos. O desaparecimento delas coloca sob risco a agricultura local, o emprego e a segurança alimentar.

Prados de ervas marinhas durante maré baixa na Baía de Maputo, em Moçambique. Foto: Pnuma/Convenção de Nairóbi

Soluções

Para reverter essa situação, a Universidade Eduardo Mondlane, apoiada pelo governo de Moçambique, vem identificando e restaurando habitats de ervas marinhas nas baías de Inhambane e Maputo.

Como parte do projeto, comunidades próximas a essas áreas aprenderão práticas de pesca não destrutivas e elaborarão um plano local de gerenciamento das ervas marinhas.

O Pnuma ressalta que mais ervas podem beneficiar a saúde e a recreação de 60% da população moçambicana que vivem ao longo da costa.

Comunidades locais

De Maputo, Salomão Bandeira, da Universidade Eduardo Mondlane, explica que, de fato, as ervas marinhas ajudam a sustentar a vida nas baías.

Ele contou que camarões, pepinos do mar, amêijoas e caranguejos encontrados nestes prados subaquáticos são fonte de alimento e emprego para as comunidades locais.

Ele explica que a pesca de mariscos e caranguejos nas ervas marinhas significa muito para as pessoas da região. O especialista explicou que não se trata apenas de um recurso, mas sim de um modo de vida".

Bandeira acrescenta que “as ervas marinhas agem como uma espécie de bateria de oxigênio para o oceano”, tornando o mar mais seguro e limpo para a pesca.

ONU/Joerg Blessing
Universidade Eduardo Mondlane espera que as lições aprendidas com suas técnicas de restauração possam ser usadas em outros países do Oceano Índico Ocidental.

Benefícios

Com mais ervas marinhas, há mais espaço para o crescimento de moluscos, o que poderia impulsionar as empresas pesqueiras locais e melhorar a segurança alimentar das comunidades.

Além disso, o turismo também pode ser beneficiado, uma vez que, cada vez mais, pessoas podem começar a visitar as baías, atraídas pela grande biodiversidade proporcionada por estas ervas.

De acordo com o Pnuma, o projeto pode até ter um impacto maior. A Universidade Eduardo Mondlane espera que as lições aprendidas com suas técnicas de restauração possam ser usadas em outros países do Oceano Índico Ocidental, também combatendo a degradação das ervas marinhas.

Outras vantagens ambientais deste projeto é a proteção de espécies únicas, como o dugongo, que se alimenta de ervas marinhas das baías. A iniciativa ajudará na produção crescente de alimentos para esta espécie, ameaçada de extinção no Oceano Índico Ocidental.

Convenção de Nairóbi

A proposta está sendo financiada pelo Programa de Ação Estratégica para a Proteção do Oceano Índico Ocidental contra Fontes e Atividades Terrestres, projeto da Convenção de Nairóbi.

A Convenção, parte do Programa de Mares Regionais do Pnuma, serve como uma plataforma para governos, sociedade civil e setor privado atuarem juntos para o gerenciamento e uso sustentável do ambiente marinho e costeiro do Oceano Índico Ocidental.

O projeto, financiado pelo Global Environment Facility, prioriza a redução do estresse terrestre neste ambiente, protegendo habitats críticos, melhorando a qualidade da água e gerenciando os fluxos dos rios.

ONU
ODS

ODSs

A implementação bem-sucedida do projeto também ajudará Moçambique a cumprir a meta 2 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, sobre gerenciar e proteger de forma sustentável os ecossistemas marinhos e costeiros.

Como as ervas marinhas desempenham um papel crítico na saúde dos seres humanos e do meio ambiente, a sociedade civil está em campanha para que as Nações Unidas reconheçam oficialmente em 1º de março como o Dia Mundial das Ervas Marinhas.

 

 

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