Guterres quer maior atenção global para problema do deslocamento interno
BR

25 fevereiro 2020

Secretário-geral diz que é inaceitável que milhões de pessoas sejam “brutalmente obrigadas” a deixar suas casas; ONU estima que mais de 70 milhões de pessoas estejam nessa situação.

Os membros do Painel de Alto Nível sobre Deslocamento Interno, criado pela ONU, em outubro, reuniram-se, pela primeira vez, em Genebra, nesta terça-feira.

O secretário-geral, António Guterres, compareceu ao encontro e convidou a comunidade internacional para enfrentar a questão que considera “arrasadora e complexa”. De acordo com a ONU, mais de 70 milhões de pessoas vivem como deslocadas em seus próprios países.

Em Binnish, na Síria, deslocados internos de Idlib vivem em uma escola destruída. Foto: Unicef/Omar Haj Kadour

Novos Deslocamentos

O número atual de deslocados representa o dobro do registrado há 20 anos. Em média, existem 37 mil novos deslocamentos diários.

A reunião do Painel, em Genebra, inclui representantes de governos, organizações internacionais, sociedade civil, setor privado e países afetados.

O grupo é formado pela ex-alta-representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, Federica Mogherini, e o presidente do Conselho do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, Donald Kaberuka.

Guterres pediu ao grupo para chamar a atenção para o problema e dinamizar novos esforços em busca de soluções. Para o chefe da ONU, é inaceitável que “milhões de pessoas sejam “brutalmente deslocadas” de suas casas e depois permaneçam sem saída por anos.

O líder das Nações Unidas disse que a esperança é que o painel “trará novas ideias para evitar o deslocamento forçado, melhor proteger e ajudar os deslocados e identificar soluções mais rápidas.”

Ocha/Giles Clarke
Meninas em assentamento para deslocados internos de Abs, no Iêmen, que continua sendo a maior crise humanitária do mundo em 2020

Sofrimento

Já Federica Mogherini acredita que é fundamental encontrar soluções duradouras para esta questão que “cria imenso sofrimento” em lugares como Síria, leste da África, República Democrática do Congo e Iêmen. Para ela, esses são exemplos da urgência de uma melhor abordagem do deslocamento interno.

Donald Kaberuka afirmou que devem ser analisadas as causas sociais e econômicas do deslocamento.

Ele destacou pobreza, desigualdade, marginalização e exclusão, fragilidades ambientais, desafios de governança e  impacto do deslocamento nas sociedades como pontos que carecem de soluções corretas.

 

 

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