ONU adverte sobre possível “banho de sangue” no noroeste da Síria
BR

21 fevereiro 2020

Agências de auxílio estão apreensivas com impacto da violência sobre áreas com deslocados; forças do governo avançam em direção a Idlib, considerado o último grande reduto rebelde no país.

Agências humanitárias lançaram um alerta sobre as consequências da recente escalada da violência no noroeste na Síria. O local, que abriga deslocados internos, está sendo alvo de bombardeios intensos.

O vice-coordenador regional Humanitário para a Crise na Síria, Mark Cutts, voltou a pedir um cessar-fogo imediato para evitar o que pode acabar num “banho de sangue”.

Necessidades

A escalada levou a uma revisão do plano de prontidão e da resposta humanitária. No mês passado, a meta das agências de auxílio era apoiar 800 mil deslocados em seis meses, mas agora se pretende atender as necessidades de 1,1 milhão de pessoas.

Somente de dezembro até agora, mais de 900 mil sírios foram forçados a fugir de suas casas. E cerca de 60% são crianças.

Agências de notícias afirmam que a escala da violência atual é sem precedentes. As forças do governo seguem para Idlib com o objetivo de derrotar a última grande área de influência rebelde do país.

Mais de um terço dos deslocados no noroeste da Síria abandonaram áreas no norte de Alepo, próximas de Idlib.

Ar livre

A ONU estima que 70 mil recém-deslocados estejam vivendo ao ar livre ou em edifícios inacabados. Outros mais de 280 mil vivem em tendas individuais de acampamentos lotados ou improvisados. Nesses locais não há serviços básicos como latrinas.

Com o inverno rigoroso, muitas pessoas recorrem à queima de suas roupas, peças de mobiliário ou materiais que liberam fumaça tóxica.

As Nações Unidas foram obrigadas a aumentar o valor do orçamento para apoiar as vítimas destes confrontos de US$ 336 milhões para cerca de US$ 500 milhões.

Somente um quinto desse valor já foi recebido para prestar assistência humanitária.

©Unicef/Watad
Crianças fugindo da escalada da violência em Idlib, na Síria, abrigam-se em um campo superlotado de deslocados internos em Atmeh, perto da fronteira com a Turquia.

 

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